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Sábado, Dezembro 17, 2005
DVD apresenta produção de 20 VJs
Lançado ontem (16.12.2005), "VJBR#1" explora formas de lidar com a imagem
Há três anos, quando se falava em VJ a primeira figura que vinha à cabeça era a do apresentador de televisão gesticulando em frente a um cenário. Hoje, a essa lembrança corriqueira soma-se a do videojóquei, aquele artista que manipula as imagens ao vivo em festivais, clubes e exposições.
Pois essa vertente da arte eletrônica ganha o seu primeiro registro, o DVD "VJBR#1 - Visual Jockeys do Brasil", com trabalhos de 20 artistas de Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pernambuco e Minas Gerais.
O lançamento aconteceu ontem, no Centro Cultural Telemar, no Rio, com uma programação de shows e debates, além de performances em clubes da cidade.
Segundo Fabiana Bartholo, 27, a VJ BeteRum, uma das envolvidas em sua produção, o objetivo do DVD é traçar um "panorama brasileiro da live-image". Para os que desconhecem o termo, live-images são todas as apresentações de vídeo em que o artista manipula, edita e muitas vezes até produz as imagens, tudo ao vivo.
O DVD é resultado de uma criação coletiva e independente, feita a partir de uma lista que os VJs mantêm na internet e que atualmente reúne 200 associados.
Estão lá todos os artistas que mandaram os trabalhos "a tempo", entre eles, a própria BeteRum, além de Spetto, Palumbo, Ruth Slinger, Nirvana e os grupos mm não é confeti, F.A.Q., Media Sana e Bijari.
Ficaram de fora alguns veteranos, como Alexis e Luiz Duva e o coletivo Embolex.
"Já estamos programando o "VJBR 2", com todas as pessoas que ficaram de fora, para o ano que vem", garante BeteRum.
Diversidade
Ainda que sem um evento dedicado aos VJs, como foi o Red Bull Live Images, em 2002, os brasileiros têm se aprimorado, e esse DVD é um retrato disso, com trabalhos em diferentes técnicas, como sobreposições, grafismos, 3D e colagens, entre outros.
Nele, há apresentações de primeira, como a do santista Spetto, que criou um software de manipulação de imagens para VJs, o VR Studio MX -disponível para download gratuito no site www.studiovr.com.br. Spetto duplica as imagens de vídeo provocando um belo efeito visual.
A também veterana Ruth Slinger participa com um set que mescla cenas abstratas com outras que se repetem em perspectiva. Ainda da velha-guarda, destacam-se dois coletivos: o mineiro F.A.Q, que costuma criar ambientes imersivos, e o carioca azOia Lab, com cenas que lembram uma "pintura" em movimento.
Da nova geração, chamam a atenção as paulistas Mariana K. e Milena Sz., que formam a mm não é confeti, dupla que atua com câmeras acopladas ao corpo.
Outro novato que surpreende é o grupo Supergas, que consegue um bonito resultado, acrescentando cores e luzes ao vídeo.
O conteúdo político está presente na performance de muitos artistas, com destaque para os pernambucanos do Media Sana, que sincroniza música e imagens de televisão, e os paulistanos do BijaRi, que costumam fazer intervenções em ruas da cidade.
DVD VJBR#1 - Visual Jockeys do Brasil
Produção: independente
Quanto: R$ 20 (pedidos pelo e-mail vjbr-subscribe@yahoogrupos.com.br)
Autora: Adriana ferreira Silva
Fonte: FSP: 17.12.2005
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15:57
SBPC defende padrão brasileiro de TV digital
Entidade apresenta sistema desenvolvido por universidades e agora cobra apoio do governo e da indústria
A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) fez ontem, em São Paulo, uma demonstração do sistema de televisão digital desenvolvido por 22 consórcios de universidades públicas e privadas. O governo federal gastou R$ 38 milhões com as pesquisas, só neste ano.
Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), da Universidade Mackenzie, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro fizeram testes de transmissão em alta definição e de interatividade. Na próxima sexta-feira, haverá demonstrações, com participação de todos os consórcios, no campus da USP, em São Paulo.
Segundo os pesquisadores, o sistema brasileiro está pronto e, até sexta-feira, serão montados 15 protótipos do equipamento (caixa de conversão) desenvolvido pelas universidades.
O presidente da SBPC, Ennio Candotti, disse esperar que o Ministério da Ciência e Tecnologia e o das Comunicações apóiem a segunda fase do projeto -a de fabricação-, que exigirá o envolvimento da indústria.
Até 10 de fevereiro do próximo ano, o governo anunciará oficialmente a escolha do sistema de TV digital a ser adotado no país. Além do brasileiro (em fase de teste), há o norte-americano, o europeu e o japonês. O prazo para a escolha foi estabelecido, por decreto, no final de 2003.
A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) afirmou ontem que, qualquer que seja o sistema escolhido, a preocupação da entidade é que seja dada prioridade para a produção de componentes no país.
A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) queixou-se, na semana passada, de falta de transparência do governo na discussão da escolha do sistema de TV digital. A entidade calcula que as indústrias terão de investir US$ 1 bilhão na adaptação das linhas de produção e quer ser ouvida.
Royalties
O professor Marcelo Knorich Zuffo, do Laboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo, disse, na exibição dos testes, que nenhum dos sistemas existentes no exterior funcionaria no Brasil, sem adaptação.
Segundo ele, o Brasil "patinou" durante dez anos, quando insistia entre os sistemas europeu, norte-americano ou japonês. Para o cientista, o Brasil economizará 20% de despesas de royalties com a escolha do sistema proposto pelas universidades. Os pesquisadores calculam que o investimento total a ser feito até a completa substituição dos televisores analógicos por digitais vá chegar a US$ 10 bilhões.
O período de transição é estimado entre 10 e 15 anos e, nesse prazo, o governo emprestará um canal a cada emissora geradora para que continue transmitindo a programação no sinal analógico, simultaneamente à transmissão digital. Os pesquisadores prevêem que a TV digital possa ser oferecida aos consumidores a partir de janeiro de 2007.
Celulares
O protótipo desenvolvido permite que a programação da TV aberta (Globo, Bandeirantes etc.) seja captada por telefones celulares, sem passar pelas antenas de retransmissão das operadoras de telefonia, o que dá maior poder à radiodifusão na disputa de mercado com as teles.
Os radiodifusores poderão usar a freqüência para transmitir um canal de TV em alta definição ou para transmitir até quatro programações simultaneamente, sem alta definição, com interatividade. A interatividade vai permitir, por exemplo, que o espectador compre produtos exibidos na tela, usando o controle remoto.
Na semana passada, os governos do Brasil e da Argentina assinaram acordo de cooperação para o desenvolvimento de um sistema único de televisão digital. Segundo o Ministério das Comunicações, a Colômbia mostrou interesse em aderir ao acordo.
Autora: Elvira Lobato
Fonte: FSP 06.12.2005
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15:48
A TV digital e o sushi
O Brasil deverá, dentro de poucas semanas, escolher uma entre as três tecnologias básicas disponíveis para instalação de um sistema de TV digital. À primeira vista, o problema aparenta ser puramente técnico e, portanto, de fácil resolução. Não apenas porque a comparação entre peculiaridades puramente tecnológicas -e, conseqüentemente, caracterizáveis por parâmetros mensuráveis- é relativamente simples quando há imparcialidade mas também porque, neste caso, as conseqüências são de alcance meramente financeiro e, com freqüência, de pouca relevância.
A TV digital encerra um potencial de revolução de natureza social e política que transcende, e muito, questões apenas técnicas
Entretanto, a TV digital encerra um potencial de revolução de natureza social e política que transcende, e muito, a esfera meramente técnica, pois traz em seu bojo uma promessa de imenso acréscimo da capacidade de interatividade e acesso à informação. Acredita-se mesmo que não apenas ampliará as funções hoje atribuídas à internet como poderá vir a substituí-las em parte, além de proporcionar um amplo leque de novas oportunidades de negócios.
É importante notar que, como sói acontecer com mudanças tecnológicas profundas, as inovações refletem os anseios das sociedades em que se originam. Assim, no Japão, onde as emissoras de televisão são em sua maioria estatais, a tecnologia adotada é tal que entrega o controle tecnológico e organizacional às próprias emissoras, ou seja, ao governo. A telefonia móvel fica, assim, também submetida ao governo.
O sistema funciona bem naquele país, talvez por causa dos acentuados traços de feudalismo ainda remanescentes. E é certamente pelo mesmo motivo que nenhum outro país adotou a tecnologia japonesa. Nem mesmo aqueles vizinhos que convivem comercialmente com o Japão, tais como Hong Kong, Cingapura, Austrália, Índia etc., que preferiram o sistema desenvolvido na Europa.
Ao contrário do sistema japonês, o europeu, muito mais versátil, permite mais facilmente reorganizações sucessivas e introdução de novos modelos de negócios, além de interatividade ampliada devido à telefonia móvel.
O sistema americano, também baseado em idéias relativas à "televisão aberta", ainda está em evolução.
Quanto à tecnologia desenvolvida por ingentes esforços em várias instituições de pesquisas no Brasil, há suspeitas de que venha vestida de quimono.
Plim-Plim...
É também significativa a condição em que foi desenvolvido o sistema europeu, que, contrariamente ao japonês, em que uma única companhia detém a tecnologia, foi constituído por um consórcio de indústrias e redes de TV, além de instituições de pesquisas procedentes de vários países, o que permite maior flexibilidade no acesso a inovações e, inclusive, a participação de países usuários que venham a adotar essa tecnologia posteriormente -como seria, eventualmente, o caso do Brasil, a compartilhar de pesquisas e desenvolvimento.
Com o Japão, isso seria muito difícil devido a sua tradicional atitude defensiva em tudo que diz respeito à propriedade intelectual.
É, portanto, surpreendente que o ministro das Comunicações, o radialista Hélio Costa, venha reiteradamente afirmar que consultaria principalmente as principais redes de televisão, já que, explica ele, elas são as entidades diretamente interessadas.
Parece que o ministro não entendeu a transcendência dessa escolha, seu alcance social e político, e coloca a raposa no galinheiro. Parece-nos também que o ministro não entende o conceito elementar de Estado e suas próprias responsabilidades, ao apontar como principais interessadas as redes de TV. Os principais interessados, sr. ministro, são os cidadãos, os contribuintes, os usuários finais, e é a eles, em primeiro lugar, que o governo deve satisfações.
Plim-Plim...
Aliás, é incompreensível que essa decisão fique apenas no interior do Ministério de Comunicações, ou, pior ainda, no âmbito do gabinete do ministro. Não há país no mundo em que essa decisão ficasse exclusivamente em um círculo tão restrito. E onde ficam os ministérios de Indústria e Comércio, Exterior e Ciência e Tecnologia? Não apitam nada? E a Casa Civil?
E por que foi criado esse fogoso Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social? Seria um mero enfeite? E o Congresso Nacional, porque não chama a si a responsabilidade de uma ampla discussão? Ou será que o poder das redes de televisão cresce tanto com a proximidade das eleições que ninguém ousa contrariá-las?
Plim-Plim...
Fonte: FSP 16.12.2005
Autor:Rogério Cezar de Cerqueira Leite, 74, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro do Conselho Editorial da Folha.
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15:45
Pré-pagos têm economia relativa
De cada dez brasileiros que possuem um celular, oito contrataram um plano pré-pago, segundo dados da Anatel. A principal vantagem desse tipo de plano é permitir que o usuário controle suas despesas de perto. Antes de fazer ligações e acessar os serviços oferecidos pelas operadoras é preciso adquirir créditos.
Mas, apesar de supostamente econômicos, os celulares pré-pagos têm recursos que podem fazer seus usuários gastarem tanto quanto os donos de pós-pagos.
Eles contam com todo o leque de serviços sofisticados, tais como conteúdo multimídia e acesso à internet, cujo uso é descontado dos créditos.
Apesar de estarem dispensados do pagamento de assinatura, de modo geral as tarifas cobradas para os aparelhos pré-pagos são superiores às dos pós-pagos, o que pode encarecer a despesa mensal. Quanto maior o plano de minutos, mais baixas costumam ser as tarifas. O mesmo ocorre com o preço dos celulares, que normalmente acabam saindo mais caros para esse tipo de contrato.
Fonte: FSP: 14.12.2005
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15:41
Serviços devem ter futuro popular
As operadoras de telefonia móvel de todo o mundo deverão rever seu modelo de oferta de serviço a partir de 2006. Essa foi uma das conclusões de um levantamento feito com cerca de mil profissionais da indústria de celulares pela empresa de pesquisas Informa Telecoms&Media (shop.telecoms.com).
O estudo constatou que o preço dos aparelhos para o usuário final deverá sofrer aumento, causado pela diminuição de subsídios. Por outro lado, o custo dos serviços de voz, que já está em declínio, continuará caindo, principalmente por conta de uma maior adoção de VoIP (tráfego de voz sobre IP, a telefonia via internet).
A oferta de serviços voltados a públicos específicos será ampliada, devido à participação cada vez maior de empresas terceirizadas, que desenvolverão conteúdos especiais para as operadoras.
As conexões à internet devem se tornar mais velozes, conforme novas redes começam a ser adotadas dentro e além do âmbito 3G, o equivalente a uma conexão de banda larga via celular.
Uma delas é a HSDPA (High Speed Downlink Packet Acess), caracterizada como 3,5G, cujo uso se dá por meio de um cartão de acesso, semelhante a uma conexão do tipo Wi-Fi. Por causa de suas características, pode transformar em concorrentes as redes de celular e os pontos de acesso sem fio à internet. Sua velocidade fica entre 8 Mbps e 10 Mbps e por isso ela é apontada como possível substituta da rede GSM.
Demanda
Segundo André Mafra, gerente de conteúdos da Vivo, operadora que iniciou neste ano sua oferta de serviços 3G, a evolução das gerações de telefonia móvel deve continuar. "Quanto mais se investe na tecnologia, mais ela se estabiliza e melhor se torna a sua performance. Por isso, a evolução não pára. A pergunta é como, quando e a que custo ela vai acontecer", afirma ele.
Já de acordo com Marco Quatorze, diretor de serviços de valor agregado da Claro, é preciso questionar qual a real necessidade de tanta velocidade para o cotidiano do usuário. "Cerca de 99% da atual demanda pode ser atendida com velocidades inferiores às oferecidas pelo sistema 3G", explica.
O corretor de seguros André Urbano é um dos usuários satisfeitos com o que o celular lhe oferece. "Gasto entre R$ 300 e R$ 400 por mês, mas principalmente para fazer ligações, além de mandar algumas fotos. Meu aparelho não filma nem toca MP3 e, por enquanto, está bom assim", diz.
ParaVincenzo di Giorgio, gerente de serviços de valor agregado da Tim, os clientes não aproveitam tudo o que lhes é oferecido porque não estão acostumados a usufruir de tais serviços. "É um problema cultural, por isso precisamos tanto de marketing: temos de explicar ao consumidor, acostumado a apenas realizar ligações, o que mais ele pode fazer com o celular", afirma. Giorgio ressalta ainda que não é o preço, e sim o desconhecimento, o principal obstáculo para a popularização dos conteúdos.
A indústria de celulares espera que grandes eventos mundiais, tais como a Copa do Mundo de 2006, ajudem a medir a real demanda por conexões de alta velocidade nos telefones móveis. Durante o torneio, usuários do mundo todo terão como opção assistir às partidas pela telinha, fazer download dos gols e navegar em portais temáticos sobre o assunto.
Para as Olimpíadas de Pequim, em 2008, a oferta de serviços deverá ser ainda maior, incrementada pela adoção de velocidades de conexão superiores.
O tráfego de mensagens multimídia também deve crescer, com a popularização dos aparelhos com câmera fotográfica e filmadora embutidas. Segundo o instituto de pesquisas Gartner, a venda desse tipo de celular representará 38% do total de vendas deste ano, com 295 milhões de unidade em todo o mundo.
Já um estudo da Parks Associates revelou que, entre os usuários norte-americanos, os celulares com câmera são mais desejados do que os com tocador de MP3: 52% dos entrevistados têm planos de comprar um. (MB)
Fonte: FSP: 14.12.2005
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