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Terça-feira, Junho 05, 2007
Tecnologia permite que papel digital "fale" com as pessoas
Acesso a informações digitais inclusas no papel é feito através do toque em uma tela, ouvidas através de alto-falante.
O protótipo de uma nova tecnologia de papéis digitais que falam com as pessoas já existe. As informações digitais estão inclusas no papel e podem ser acessadas pelo simples toque na área de uma tela. As informações são ouvidas através de um alto-falante impresso.
A tecnologia é resultante do projeto de pesquisas Four Paper, da Mid Sweden University. Os pesquisadores trabalham na quarta geração de produtos de papel que se comunicam com computadores.
O pesquisador Mikael Gulliksson explica como a tecnologia funciona. É uma combinação de papel e códigos gráficos impressos com tintas eletronicamente condutoras, sensíveis à pressão. A informação digital está no papel, que, quando tocado, a transmite através de um alto-falante impresso.
Aplicações poderiam ser desenvolvidas para campanhas publicitárias, marketing e eventos. Por enquanto, há um grande modelo de tela que demonstra como a tecnologia pode ser utilizada junto às propagandas.
Quando a pessoa toca uma imagem ou texto, ela ouve a mensagem publicitária audiovisual. Ao invés de possuir uma superfície de propaganda plana, este anúncio convida as pessoas a entrarem e interagirem com a mensagem.
A mesma tecnologia foi usada como protótipo para uma mesa digital de música. Neste caso, álbuns de música são impressos diretamente no papel e as músicas podem ser ouvidas através do toque da capa do álbum. O som então sai diretamente do papel.
Depois do uso, as telas podem ser encaminhadas à reciclagem. O objetivo é desenvolver uma plataforma de produto completamente baseado em papel para produtos de marketing e serviços diversos.
Fonte: IDG NOW!
05 de junho de 2007
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Sexta-feira, Junho 01, 2007
O poder das 21 Trocas Revolucionárias
Para chegar mais rápido aonde você quer é preciso fazer substituições urgentes em sua vida
- Você quer realmente vencer, ganhar mais e crescer em sua carreira? Como empreendedor, executivo ou estudante, seu sonho a realização, mas tem dificuldades para dar passos triunfadores?
- Você pode revolucionar sua vida se usar a força das substituições provocadoras do sucesso, que são as vinte e uma trocas prioritárias urgentíssimas.
- Troque a otimização pela inovação. Você ganhará, menos pelo que sabe do conhecido, e mais pelo avançar do desconhecido. Troque a visão do que é claro pela busca do que há lá no escuro.
- Troque a leitura pelo estudo. Acreditar que estamos na Era do Conhecimento e sair por aí lendo feito louco não leva a nada.
- Troque o conhecimento pela sabedoria. Saber o 'como' das coisas é uma das fontes do conhecimento. Saber o 'porquê' das coisas é sabedoria.
- Por exemplo o porteiro que conhece tudo sobre a arte de abrir portas, e o porteiro que entende que ele existe para abrir, também, as portas do lucro e da satisfação de clientes.
- Troque ameaças mercadológicas por oportunidades de ouro. Seja um empreendedor de oportunidades, não um oportunista. Troque a reação ao novo pela recriação das chances.
- Preveja possíveis reações de futuro. Pergunte-se quais serão os desafios do seu cargo daqui a cinco, dez anos. Melhor pensar assim do que ser corrompido pelo passado.
- Troque seu enfoque de curto prazo por um de longo prazo. É a troca das angústias do passado pelas apostas do porvir.
- Troque a visão de especialista quadrado pela visão de generalista múltiplo, mas sem perder o foco principal. É a troca do ver pelo enxergar.
- Troque o de dentro pelo de fora. O profissional burocrata sempre será esmagado pelo profissional mercadocrata. É a troca do 'in' pelo 'out'.
- Troque seus subordinados por colaboradores-parceiros. Transforme funcionários comprometidos em clientes. Troque o encantamento pelo comprometimento.
- Troque os executivos-gerentes por executivos-líderes. Entenda que o importante é 'gerir' e 'gerar' saídas diferentes para seu negócio.
- Escolha trabalhar com pessoas que gostem da melhoria contínua e que sejam fanáticas pela inovação contínua. É a troca dos grupos pelos times.
- Troque o ganho de preço pelo ganho de giro. É a troca dos poucos lucros gordos pelas muitas sobras magras.
- Troque objeções por razões para a compra. É a troca do lamento pelo argumento, da dificuldade pela idéia e do problema pelo desafio.
- Troque o foco no cliente pelo foco do cliente. Ou foco na vida pelo foco da vida. Se você tem uma secretária e quer agradá-la, dê-lhe presentes e você estará com o foco nela. Mas se você a promove com aumento de salários, você estará com o foco dela.
- Se você tem o foco no cliente você vende a broca, se você tem o foco do cliente você vende o furo. É a troca do 'que eu sou' pelo 'que eu posso fazer por você'.
- Há muitas outras trocas para você vencer na área pessoal e profissional. Troque a incentivação pela motivação, a incerteza pelo planejamento.
- Troque a reclamação pela ação, o medo pela coragem administrada, a acomodação pela iniciativa inteligente, a paixão pelo amor, a experiência pela competência.
- Troque a tecnologia pela calma do espírito, a inquietação pela oração. Se fizer, agora, essas 21 ações essenciais, a vida lhe dará a melhor das trocas, que é a do fracasso pelo sucesso e da ansiedade pela paz.
Fonte: InfoJobs
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Sábado, Abril 28, 2007
Tipos de Microfones
Cada fonte sonora tem suas próprias características tais como forma de onda, dinâmica do som, características da fase e faixa de freqüência. Dificilmente um microfone responderá fielmente a essas características, porém existem microfones específicos que melhor se aplicam a cada tipo de som. Por esse motivo, temos uma gama imensa de microfones no mercado a nossa disposição.
Microfones são unidades eletro-acústicas que convertem energia acústica em energia elétrica. Todo microfone tem uma membrana (cápsula) que é excitada por uma onda sonora.
Os microfones são caracterizados em dois tipos: pressão e velocidade. Microfones de pressão tem uma única superfície que é exposta a fonte sonora, então o sinal de saída corresponde à pressão sonora instantânea que atinge a cápsula. É associado com características omnidirecionais. São microfones de gradiente de ordem zero. A segunda classe é de Microfones de velocidade, onde a onda sonora é obtida através da diferença ou gradiente entre a onda sonora que atinge a frente e a parte de trás da cápsula. A saída elétrica corresponde a essa mínima diferença de velocidade (Ballou, 2002). Podemos classificá-los também em:
Omnidirecional: a captação é igual em todas as direções.
Bidirecional: a captação é igual nos dois lados opostos.
Unidirecional: a captação é só em uma direção (cardióide).
Microfones Ominidirecionais
Omnidirecional, ou esférico, a cápsula é exposta somente às ondas acústicas pelo lado da frente do microfone, por isso, não há cancelamentos por haver sons chegando por ambos os lados no mesmo tempo. Esse tipo de microfone é capaz de produzir sons muitos planos (flat), com uma resposta de freqüência, em todo o espectro do áudio, sem buracos (Ballou, 2002).
Microfones omnidirecionais começam a se tornar mais direcionais quando o tamanho do diâmetro do microfone se aproxima do comprimento da onda da freqüência em questão, por isso os microfones têm que ter o menor diâmetro possível se as características omidirecionais são desejadas em altas freqüências. Isso é devido ao efeito da difração que ocorre quando o comprimento da onda é muito superior em relação ao tamanho de um objeto, no caso o microfone. Como o comprimento de onda se torna pequeno em relação à cápsula, ela não consegue envolvê-la e passa sem ser captada. Assim, só as ondas que incidem direcionalmente na cápsula são captadas. Essa freqüência é dada por: f = v/10D, onde v é a velocidade do som em metros por segundo e D o diâmetro da cápsula em metros (Ballou, 2002).
Por causa do padrão de captação ser esférico, a eficiência na captação da energia em qualquer ponto é de 100%, e a relação de resposta entre frente e costas é de 1:1, ou seja, sinais de qualquer parte têm a mesma sensibilidade de captação. Portanto, é altamente indicado para gravações de orquestras e quando se deseja captar o som do ambiente. E não é indicado quando num local barulhento (Ballou, 2002).
Família de padrões polares mostrando o estreitamento progressivo da resposta para altas freqüências.
Bidirecional
São microfones que captam somente os lados opostos (frente e atrás) igualmente, o padrão de captação é conhecido como figura oito.
Esse padrão resulta do fato do som atingir a cápsula pelos dois lados simultaneamente. Ondas sonoras que chegam pela frente ou por trás causam movimentação da cápsula, gerando um sinal elétrico. Uma característica importante é que o padrão de captação independe da faixa de freqüência.
Padrão polar Figura oito.
Microfones Unidirecionais
Microfones unidirecionais têm uma sensibilidade muito maior para sons frontais do que para qualquer outra direção, na media de 20db-30db a mais de sensibilidade para ondas sonoras que chegam pela frente, do que por trás do microfone. São normalmente conhecidos como cardióides ou direcionais, supercardióides, hiper-cardióides.
Tal característica é obtida através de pequenas aberturas na parte de trás da cápsula que possibilitam a entrada das ondas sonoras por trás da membrana da cápsula. Daí então, um circuito elétrico altera a fase destas ondas de modo que o som que incide frontalmente esteja em fase com o som que incide na parte de trás da membrana, gerando se assim o padrão unidirecional.
É conhecido como cardióide por ter o formato de um coração. Esses microfones são os mais utilizados porque evitam vazamentos de ruídos e sons indesejados, dentre as vantagens estão menos ruídos de ambiente, maiores volumes sem dar microfonia (principalmente em lugares abertos) e captação de uma única fonte sonora (Ballou, 2002).
Padrão Cardióide com equação polar 5 + 5Cos[ q ], onde q é o ângulo em relação ao microfone.
Microfones Dinâmicos e Condensadores (condensers)
Microfones Dinâmicos, também conhecidos como de pressão ou magnéticos, possuem uma pequena membrana acoplada num imã que, ao ser atingida por uma onda sonora, se movimenta em um campo magnético gerando uma corrente elétrica proporcional a pressão a qual foi exposta.
Algumas vantagens de microfones dinâmicos:
Robustos
Relativamente barato
Suporta altos níveis de SPL
Microfones condensadores, também conhecidos como microfone de capacitor, geram uma corrente elétrica proporcional a pressão sonora, a partir da diferença da capacitância causada pela incidência da onda sonora em uma ou duas lâminas de um capacitor. Necessita de phantom power, ou seja, uma corrente elétrica disponível na maioria dos mixers e consoles presentes no mercado.
Algumas vantagens de microfones condensadores:
Podem ser bem pequenos;
Resposta de freqüência plana e de grande espectro;
Pouco ruído, silencioso;
Pouca interferência de difração devido ao pequeno tamanho, o que preserva características omnidirecionais em alta freqüência.
Fonte: http://www.nics.unicamp.br/~andre/html/main/backgroundMain.htm
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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
Superproteção traz ainda mais danos
Bloqueio a sites atenta contra a liberdade, diz diretora da entidade internacional que coordena a internet
A internet considera perniciosos os controles e as interferências governamentais, e os internautas sempre dão um jeito de contornar as restrições, ensina Susan Crawford, professora de direito cibernético e direito das comunicações na Cardozo Law School, em Nova York, e diretora da Icann, a entidade internacional que coordena a internet. Em entrevista realizada por telefone, na quarta-feira, Crawford, 43, adverte que os prejuízos à liberdade de expressão e de opção provocados pelo supercontrole da rede superam em muito seus eventuais benefícios. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
FOLHA - A internet pode ser controlada?
SUSAN CRAWFORD - A internet, em si, é apenas um acordo para que todos os computadores falem uma determinada linguagem. O acesso à internet pode ser controlado, e os governos podem determinar aos provedores de internet que estão fisicamente baseados em seus territórios que bloqueiem o acesso a determinados sites. A maioria dos países civilizados não faz isso. Nos EUA, uma ação governamental como essa seria considerada ilegal, uma violação à Primeira Emenda, que garante a liberdade de expreessão.
FOLHA - Como os governos devem proceder em relação aos crimes na internet?
CRAWFORD - Nos Estados Unidos, o governo tem o poder de determinar a retirada de um site do ar se há pornografia infantil ou material obsceno no site. Mas não tem o poder de fechar um site pornográfico, porque isso faz parte da liberdade de expressão. Além disso, bloquear um site não tem sentido, é vão, pois, como aconteceu no caso da modelo brasileira, o vídeo fica aparecendo em outros sites e de outras formas...
FOLHA - Cada ação governamental pode ser burlada de alguma forma...
CRAWFORD - A internet considera a interferência como algo pernicioso e dá sempre um jeito de contorná-la.
FOLHA - Mas essas infrações não podem ser rastreados?
CRAWFORD - As agências policiais do mundo todo colaboram entre si para rastrear as origens dos vírus. Muitas vezes, têm sucesso. Depende. Nem sempre prendem o criminoso, mas conseguem rastreá-lo. A mensagem mais importante e profunda aqui é a que os danos causados pela tentativa de proteger as pessoas perfeitamente on-line supera em muito -muito mesmo- qualquer benefício que possamos ter com a suposta proteção que as polícias ou governos possam nos dar contra alguns embaraços ou crimes. Veja bem: se o acesso for controlado tão rigidamente para que o governo possa pegar os bandidos, isso tem terríveis conseqüências para os cidadãos comuns. Eles não terão a liberdade de escolha, a liberdade de opções de que precisam. A resposta deveria ser permitir que as empresas e os indivíduos, que formam a periferia da rede, encontrem formas de se proteger, em vez de a parte central da rede proteger os outros.
FOLHA - Ou seja, cada um deve ser responsável pela defesa de seus arquivos e pelo que faz na rede.
CRAWFORD - O que precisamos fazer é ajudar as pessoas, treiná-las para que sejam capazes de fazer isso, instalar antivírus, configurar as defesas de seus programas de navegação na internet. Os indivíduos podem fazer isso sozinhos, com alguma ajuda. Isso requer educação e assistência, mas não controle governamental da internet.
FOLHA - Mas, quando um um indivíduo se sente ofendido, ele pode buscar apoio legal.
CRAWFORD - Pode. Mas também pode simplesmente ignorar a ofensa. Ou responder on-line. Há muitas formas de cada um mostrar o seu lado sem recorrer ao sistema judicial.
FOLHA - Às vezes, a disputa é desigual, de cidadãos contra empresas ou homens poderosos. Os jornais sempre foram alvo de processos...
CRAWFORD - Nós estamos num mundo muito diferente hoje em dia, uma era em que os jornais já não têm o monopólio da informação, das notícias. A legislação foi projetada para uma era em que havia um único megafone, um único amplificador, que era o grande jornal da cidade. Se, naquela época, um jornal dissesse algo que era falso ou difamatório, um cidadão comum não tinha aonde ir, porque os jornais eram tão poderosos. Hoje é muito diferente. No mundo on-line, há muitas formas de responder, de mostrar às pessoas que você foi ofendido ou tratado de forma incorreta. Nada disso exige o recurso à Justiça, porque hoje em dia cada um pode ser um editor.
Fonte FSP: 14.01.2007
Autor: Rodolfo Lucena
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13:49
Disney vende mais de 1 milhão de filmes no iTunes e já preocupa varejistas
A Disney comercializou 1,3 milhão de filmes por meio do serviço iTunes em apenas três meses e, criando pressão para que outros estúdios de Hollywood façam associação com o serviço digital da Apple.
A Disney começou a vender filmes por meio do iTunes em outubro de 2006. Mas outros estúdios têm resistido, especialmente por causa do medo de enfrentar grandes opositores, como as redes Wal-Mart e Target, responsáveis pela maior parte das vendas de DVDs nos Estados Unidos.
A rede Target já expressou preocupação com o efeito do "downloading" nas vendas e no preço dos DVDs. Mas Bob Iger, presidente-executivo da Disney, diz que a distribuição digital está "ampliando o consumo de mídia". E acrescenta: "A mensagem que queremos passar para os nossos parceiros tradicionais do varejo é que o bolo está crescendo".
Iger não acredita que o "download" de filmes pela internet vá canibalizar o mercado de DVDs. Ele cita que os filmes "Carros" e "Piratas do Caribe - O Baú da Morte", por exemplo, bateram recorde de vendas em DVDs.
Filão
Para Iger, o varejo tem suas razões para temer que a disponibilidade de filmes pela internet possa resultar em diminuição de seus negócios. "Mas, se nós não participarmos desse mercado, que é uma opção abraçada pelos consumidores, outros vão preencher esse filão".
O lançamento de "Piratas do Caribe - O Baú da Morte" e "Carros" no iTunes ajudou, segundo Iger, a puxar as vendas de filmes da Disney e ultrapassar a barreira de 1 milhão de "downloads".
A Disney também colocou programas de TVs no iTunes há um ano e já registra mais de 20 milhões de downloads.
As redes que vendem DVDs e as indústrias que fabricam DVDs informam que seus negócios estão em declínio.
Após anos de crescimento, esse mercado já alcançou a maturidade. Pali Capital, uma empresa de pesquisa, prevê que 2007 será o primeiro ano em que o gasto com DVDs vai cair nos Estados Unidos.
Fonte: FSP 21.02.2007
Autor: MATTHEW GARRAHAN
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13:36
Internet prepara-se para era da Web 3.0
Empresas e pesquisadores procuram sofisticar mais os mecanismos de busca para "adivinharem" desejo do usuário
Idéia já interessa a gigantes do setor como IBM e Google; empresa de aluguel de vídeo oferece US$ 1 milhão para quem melhorar seu sistema
Há algumas semanas, o Netflix, o serviço de aluguel de DVD por correio mais popular dos EUA, publicou um anúncio que chamava a atenção não só pelo valor envolvido, mas pelo desafio proposto. A empresa de Los Gatos, no Vale do Silício californiano, prometia dar US$ 1 milhão a quem desenvolver um método de busca mais eficiente do que o usado hoje.
Atualmente, o cliente que buscar no site da Netflix "Os Infiltrados", de Martin Scorsese, por exemplo, e decidir alugá-lo receberá a sugestão de levar também "Gangues de Nova York", "O Aviador", "Cassino" e "Os Bons Companheiros" (do mesmo diretor) e "The Good Shepherd" e "A Supremacia Bourne" (ambos com Matt Damon, ator de "Os Infiltrados").
A empresa considera que o atual mecanismo de busca é algo básico e primário. Propõe pagar mais de R$ 2,2 milhões a quem conseguir um algoritmo mais sofisticado. Quem procura "Os Infiltrados", violento longa policial indicado ao Oscar de domingo, pode se interessar por quais outros filmes? E se essa pessoa é um homem, de entre 30 e 40 anos, casado, morador de Washington (todos dados que a Netflix já possui)?
Mais: e se o cliente não dá a informação inicial ("Os Infiltrados"), mas descreve vagamente o que procura ("filme violento", "diretor consagrado", "baseado em Boston", "refilmagem de título oriental")?
O que empresas como a Netflix, mas também gigantes como a IBM e a Google, procuram é uma resposta a isso.
"A resposta", disse à Folha Nova Spivack, "é a Web 3.0". O termo, segundo o norte-americano, considerado o principal autor em semântica da rede, foi empregado pela primeira vez pelo jornalista John Markoff, num artigo do "New York Times" e logo incorporado e rejeitado com igual ardor pela comunidade virtual (leia a entrevista de Spivack abaixo).
Seria a terceira onda. A primeira, Web 1.0, foi a implantação e popularização da rede em si; a Web 2.0 é a que o mundo vive hoje, em que os mecanismos de busca como Google e os sites de colaboração do internauta, como Wikipedia e YouTube, dão as cartas. A Web 3.0 seria a organização e o uso de maneira mais inteligente de todo o conhecimento já disponível na Internet.
De que maneira? Daniel Gruhl, um dos diretores do Almaden IBM Research Center, exemplifica. Até agora, disse ele à Folha, a rede é como uma lista telefônica com bilhões de páginas. Um mecanismo de busca como o Google permite que o usuário pesquise o conteúdo de cada página -todos os Silva, para ficar na metáfora da lista- e mesmo utilize a "busca avançada" para restringir um pouco mais os resultados -todos os Silva de São Paulo.
"A Web 3.0 organiza e agrupa essas páginas, por temas, assuntos e interesses previamente expressos pelo internauta", afirma Gruhl- todos os Silva que torcem para o Corinthians, votaram no PSDB e são alérgicos a frutos-do-mar, digamos. Embora a tecnologia ainda esteja na fase de pesquisa, suas possibilidades comerciais são infinitas. E as empresas não estão cegas para isso.
Uma das provas é o próprio centro do qual Gruhl faz parte. Baseado em San José, também no Vale do Silício californiano, tem como função encontrar novos usos comerciais para a rede de computadores e prever quais serão as próximas tendências, os novos YouTube, por exemplo. Gruhl, um Ph.D. em engenharia eletrônica do MIT, é especializado em "compreensão das máquinas".
Tanto esse aspecto futurista das pesquisas quanto o próprio termo Web 3.0 são responsáveis pelo maior volume de crítica que a iniciativa recebe. A principal reação vem, obviamente, da blogosfera. Nos diários virtuais de especialistas detratores, a crítica mais comum é a de que "Web 3.0" nada mais é do que a tentativa de empacotar num termo "vendável" algo que ainda nem existe. "Eu aposto que o futuro é mais "inteligência humana" do que "inteligência artificial'", escreveu o expert Ross Mayfield.
Pesquisa divulgada no início da semana pela Weber Shandwick, uma unidade da Interpublic Group, uma das maiores empresas de publicidade e marketing do mundo, mostra que tais críticas não são unânimes. Segundo o levantamento, 86% dos 104 executivos das maiores empresas americanas ouvidos acreditam que a inovação trazida pela Web 3.0 será o setor que mais ganhará importância ao longo de 2007.
"O surgimento do consumidor com mais poder significa que as companhias não podem mais simplesmente falar de inovação como uma estratégia do futuro", disse Billee Howard, do planejamento da Weber Shandwick. "As empresas precisam procurar novas maneiras de implantar isso".
Fonte: FSP 21.02.2007
Autor: Sérgio Dávila
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Sábado, Outubro 28, 2006
A erosão do trabalho
Estudo analisa as mudanças por que têm passado as relações entre patrões e empregados no Brasil
Enquanto a indústria se moderniza, postos de trabalho são substituídos por máquinas; como alternativa ao desemprego, as empresas oferecem soluções como flexibilização de horários e contratos temporários.
Para o professor de sociologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ricardo Antunes, que pesquisa as mutações no mundo do trabalho desde o início da década de 1990, esse tipo de solução (a "desconstrução da legislação social") não só piora as condições dos que têm emprego como não resolve o problema do desemprego estrutural.
Tendo estudado como Japão, EUA e Europa lidaram com a pressão sobre os trabalhadores, Antunes escreveu "Adeus ao Trabalho?" (ed. Cortez) e "Os Sentidos do Trabalho" (Boitempo). Voltando-se agora para o Brasil, ele lança "Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil" (Boitempo), coletânea de artigos de diversos autores sobre o tema.
Além de investigar a reestruturação em setores tradicionais, como o automobilístico e o bancário, o novo livro apresenta setores pouco estudados, como a música erudita e o telemarketing. Baseado nesses dados e na evolução da legislação trabalhista no Brasil, Antunes deu à Folha sua interpretação para a atual situação do trabalho e o futuro que se desvela.
FOLHA - Por que cinco capítulos só sobre indústria automobilística?
RICARDO ANTUNES - Porque ela tem muita importância: o novo sindicalismo nasceu no ABC paulista. Tem uma tradição na história do trabalho, na história sindical e enorme importância nos ciclos de industrialização.
FOLHA - Houve surpresa com os recentes cortes e medidas, como os da Volkswagen?
ANTUNES - Para nós não foi surpresa. A pesquisa empírica pegou toda a década de 1990 e se concluiu em torno do início de 2005. Era fundamental entender como, em São Bernardo do Campo (SP), ocorreu o desmonte de uma planta que chegou a ter 44 mil trabalhadores, juntando as unidades dos anos dourados -1970-80-, contingente reduzido a menos da metade e produzindo três vezes mais. A Volkswagen perdeu competitividade e veio com uma proposta muito dura, de perda de direitos com demissão em massa.
FOLHA - O sr. diz que centrais sindicais aceitaram acordos ruins para os trabalhadores. Por quê?
ANTUNES - Foi uma combinação complexa de elementos. Na década de 90 ocorreram no Brasil dois movimentos simultâneos: um foi a monumental reestruturação produtiva das empresas...
FOLHA - E ela teve mais impacto porque as indústrias haviam se acomodado e então, no início dos anos 1990, passaram a sofrer com a liberação das importações?
ANTUNES - Certamente. Freqüentemente se diz que a década de 1980 foi perdida. Foi perdida talvez para o capital, mas para o mundo do trabalho no Brasil foi uma década de florescimento. Basta dizer que em 80 nasce o Partido dos Trabalhadores, em 83 a Central Única dos Trabalhadores, em 84 o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra... Foi um período de vivificação das lutas sociais. Quando Collor ganhou a eleição [em 1989], houve o segundo elemento fundamental: tivemos, de modo intenso, a pragmática neoliberal da desregulamentação. Voltando à questão anterior, [por esses motivos] a década de 90 bateu duro nas centrais sindicais, no PT. Esses abalos no mundo do trabalho têm seu impacto na representação política. A CUT e a Força Sindical viveram esse ciclo de uma onda ideopolítica muito forte: em 1989, o fim do Leste Europeu, expandido como o "fim do socialismo". Se não havia alternativa, muitos partidos mudaram.
FOLHA - Então os sindicalistas compactuaram com o capital?
ANTUNES - Eu usaria termos mais sofisticados: abandonaram a prática da luta social, foram buscar recursos do Estado -o Fundo de Amparo ao Trabalhador, por exemplo, e mais recentemente estão de olho nos fundos de pensão- e implantaram uma espécie de neocorporativismo, que oscila entre depender do Estado e de outros recursos. É um neopeleguismo da era lulista, diferente do velho peleguismo da era getulista. O resultado final: a CUT de 2006 é completamente prisioneira do Estado, do Ministério do Trabalho, de verbas públicas -não é por acaso que algumas de suas principais lideranças estiveram diretamente envolvidas em todos os escândalos, do mensalão ao dossiê contra a candidatura do [governador eleito por SP José] Serra.
FOLHA - Que projeções podem ser feitas sobre o desemprego, com base nas políticas atuais?
ANTUNES - Nesse ponto não é possível ter ilusões. [O economista americano] Jeremy Rifkin publicou um artigo no "Guardian" em 2004 dizendo que, entre 1995 e 2002, a China perdeu 15 milhões de trabalhadores industriais crescendo 10%, 12% ao ano. O crescimento não é sinônimo de inclusão no trabalho. Ele é possível com maquinário e trabalho multifuncional (em bom e claro português, significa o trabalhador fazer muitas coisas). Teremos um mundo do trabalho mais ou menos assim (excluindo-se as classes proprietárias, que estão cada vez mais ricas): na ponta de cima, trabalhos ultraqualificados, com uma remuneração relativamente alta, mas um trabalho virtual. Trabalha-se hoje numa grande transnacional, e amanhã pode-se ser transferido para as Filipinas, a Rússia ou perder o emprego. Na base, o desemprego estrutural. Os dados da Organização Internacional do Trabalho são muito minimizadores. No meio, vamos ter um conjunto muito grande de trabalhos, alguns bastante qualificados no que concerne à atividade, mas sob condições bastante instáveis ou mesmo virtuais. São trabalhadores técnicos que ficam oscilando: quando há uma fusão, há o desemprego. Deixada a lógica do século 21 como está hoje, com o chamado "mercado" dizendo o que deve ser feito, com o Estado em retração, cada vez mais privatizado, caminhamos para um estado de desertificação social. O que era típico do Terceiro Mundo chegou ao Primeiro. Os bolsões de pobreza, o "lavoro nero" na Itália, os árabes muçulmanos e os negros africanos na França, os brasileiros em Portugal, na Espanha e Inglaterra são uma "terceiromundização" do trabalho no Primeiro Mundo, enquanto nossas burguesias vivem um prolongamento do Primeiro Mundo. Haverá esse fosso social. Mas isso cria para o capital pelo menos três problemas. Primeiro, a classe trabalhadora sem trabalho não tem salário e não consome; o capital resolve isso com consumo sofisticado para as classes médias altas e uma produção de péssima qualidade para os pobres. Segundo, os bolsões de miséria; nos anos dourados do Estado de Bem-Estar Social, o desempregado europeu recebia o equivalente a seu salário quando estava sem emprego. Não só isso nunca ocorreu por aqui como está em erosão nos países europeus. São bolsões sem trabalho nem remuneração, o que leva ao terceiro ponto: esses bolsões de pauperismo são base para a economia política do tráfico, do crime ou são pólos de rebelião. Por que o MST teve força? Porque aglutinava em seu acampamento os excluídos do campo e os da cidade.
FOLHA - Mas o que fazer então?
ANTUNES - Responder é um desafio. Queremos uma produção destrutiva -em que a acumulação de valor é o "modus operandi" fundamental- ou queremos recuperar uma humanidade para a qual questões vitais são preservadas? Além de uma nova morfologia do trabalho, há uma nova morfologia das lutas sociais. Aquilo de "primeiro vem o partido" soçobrou. Hoje, os mais importantes movimentos são os que tocam as questões vitais.
FOLHA - Qual a diferença entre Lula e Alckmin em relação à desmontagem da legislação trabalhista?
ANTUNES - Ambos farão a mesma reforma. A reforma de Lula é a reforma de Fernando Henrique Cardoso, com um acento diferente aqui e ali. Lula não fez uma reforma em benefício dos trabalhadores, contra a reforma do FHC. Ambas têm relativa timidez em flexibilizar porque haverá muita resistência sindical e dos trabalhadores -apesar de todos os limites, o sindicato se arraigou na história da classe trabalhadora brasileira. E alguns sindicatos importantes não aceitam transferir sua autonomia às centrais. Lula e Alckmin tenderão a vir com as imposições do capital global. Só que há um problema: como Lula vem do movimento sindical, é muito mais difícil se opor a ele. FHC tentou privatizar a Previdência e taxar os aposentados e não conseguiu. Taxar os aposentados foi o primeiro ato importante de Lula. A racionalidade no ideário neoliberal implantada por FHC é marcada por uma destrutividade que está presente no livro. Esse desmonte dos anos 90 -com Collor, Itamar e FHC, até 2002-, quando imaginávamos que fosse estancar, ganhou novo fôlego com Lula. Essa é a tragédia brasileira.
Fonte: FSP 22.10.2006
Autor:ERNANE GUIMARÃES NETO
Livro: RIQUEZA E MISÉRIA DO TRABALHO NO BRASIL
Organização: Ricardo Antunes
Editora: Boitempo
Quanto: R$ 62 (528 págs.)
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Quinta-feira, Outubro 05, 2006
Taxonomia (do Grego verbo τασσεῖν ou tassein = "para classificar" e νόμος ou nomos = lei, ciência, cf "economia"), foi uma vez, a ciência de classificar organismos vivos (alpha taxonomy), mas mais tarde a palavra foi aplicada em um sentido mais abragente, podendo aplicar-se a uma das duas, classificação de coisas ou aos princípios subjacentes da classificação. Quase tudo - objetos animados, inanimados, lugares e eventos - pode ser classificado de acordo com algum esquema taxonômico.
Alguns afirmam que a mente humana organiza naturalmente seu conhecimento do mundo em tais sistemas. Esta visão é baseada frequentemente na epistemologia de Immanuel Kant.
Antropologistas têm observado que as taxonomias são inerentes à cultura local e aos sistemas sociais, servindo a várias funções sociais. Talvez o estudo mais bem conhecido e mais influente de taxonomias populares seja o The Elementary Forms of Religious Life de Emile Durkheim . As teorias de Kant e Durkheim influenciaram também Claude Lévi-Strauss, o fundador do estruturalismo antropológico. Levi-Strauss escreveu dois livros importantes em taxonomias: Totemism e The Savage Mind.
Taxonomias como as analisadas por Durkheim e por Levi-Strauss são chamadas às vezes de taxonomias populares para distinguí-las das taxonomias científicas, que sustentam a dissociação das relações sociais e assim chegar ao objetivo e ao universal. A mais famosa e mais extensamente utilizada taxonomia científica é a taxonomia de Lineu, que classifica as coisas vivas e foi criada por Carl von Lineu. Este sistema taxonómico pode ser encontrado no artigo árvore evolucionária.
Nos anos recentes, a classificação taxonómica ganhou apoio da biologia computacional / bioinformática, empregando o método das árvores filogenéticas.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Usuário gasta dobro do tempo com TV interativa
Testes realizados pela Ericsson em parceria com a Norwegian Broadcasting Corporation (NRK), emissora de televisão norueguesa, revelaram que o tempo dedicado pelos usuários a um determinado programa de TV móvel praticamente dobra quando ele consegue interagir com o conteúdo.
O teste comercial, realizado com 500 usuários, entre novembro de 2005 e fevereiro de 2006, mostrou que o tempo médio de acesso a um programa pelo celular aumentou de 2 minutos (GPRS) e 3 minutos (3G) para mais de 5 minutos quando o usuário acessava funções interativas.
No piloto, um programa musical ganhou dois recursos interativos: a votação para escolher o próximo clipe exibido e a função de chat.
Diante dos resultados, a Ericsson planeja introduzir interatividade na programação de TV móvel no Brasil.
A empresa possui um acordo com a Claro, que utiliza o seu centro de hosting de serviços para operadoras para transmitir programações televisivas - inclusive acesso em tempo real ao canal Band News - para seus assinantes.
"Até o final do ano a interatividade deve estar disponível", afirma Leandro Baghdadi, relações públicas da Ericsson, lembrando que a decisão de agregar os serviços depende das operadoras.
O executivo enumera as vantagens do uso da tecnologia: "Para o canal de TV, além da nova forma de distribuir conteúdo, há uma receita de publicidade alternativa e um novo formato de TV que atinge outros grupos, como o de pessoas que ficam pouco em casa. Para a operadora, há um aumento de receita proveniente de tráfego e serviços. E para o usuário, a possibilidade de assistir televisão a partir de qualquer lugar".
Fonte: IDG Now! 07.02.2006
Autora: Daniela Moreira
MARKETING DE GUERRILHA
Jay Conrad Levinson é o pai do MARKETING DE GUERRILHA, autor do primeiro livro sobre o assunto, em 1984. A proposta de Jay era a de subsidiar pequenos empreendedores com técnicas de marketing, até então, pouco convencionais, passíveis de serem aplicadas, por empresas que possuíam limitadas verbas de marketing.
Em 1986, Al Ries e Jack Trout lançaram o MARKETING WARFARE nos EUA. O lançamento foi simultâneo no Brasil, com a revisão técnica de Francisco Madia, que "batizou" o MARKETING WARFARE de Marketing de Guerra, com a devida autorização dos autores americanos. Os livros lançados foram intitulados Marketing de Guerra (1986) e Marketing de Guerra - A Ação (1989, título original Bottom-Up Marketing). Foi assim que surgiu, no Brasil, o Marketing de Guerra, a tese de posicionamento que tem como referência específica a Concorrência e homenageia o General Prussiano, Karl Von Clausewitz e seu tratado "On War" (1832).
O Marketing de Guerra, sustentado por Ries e Trout, conduziu as empresas a estarem preparadas para a guerra de marketing, planejando suas ações como se fossem campanhas militares.
O MARKETING DE GUERRILHA foi introduzido como capítulo, no livro MARKETING DE GUERRA, onde os autores apresentaram os Princípios da Guerrilha, iniciados com a citação do grande guerrilheiro chinês, Mao Tsé-Tung: "O inimigo avança, retiramos. O inimigo acampa, provocamos. O inimigo cansa, atacamos. O inimigo se retira, perseguimos". Este princípio permanece muito útil, atual, principalmente para empresas menores, seguidoras de mercado, e novos entrantes. O MARKETING DE GUERRILHA trouxe a grande contribuição para as empresas, orientando que as estratégias deveriam surgir da "lama do mercado" e não da "torre de marfim". Ries e Trout pregavam que a empresa deveria estar permanentemente no mercado, no ponto-de-venda, para detectar oportunidades e ameaças e formatar suas estratégias. O ambiente antisséptico do escritório, comparado pelos autores a uma torre de marfim, não possibilitaria à empresa, traçar estratégias eficazes.
Como exemplos tradicionais de empresas guerrilheiras, temos a Pepsi - cuja trajetória de crescimento foi baseada em guerrilhas contra a líder Coca-Cola; e Burger King, que progrediu atacando o Mc Donald's com o seu diferencial, "grelhar e não fritar".
As Guerrilhas que prevaleceram, a partir da década de 80, foram as Guerrilhas Geográficas (atacar regionalmente um produto nacional); Guerrilhas Demográficas (atacar um segmento específico da população, por faixa etária, renda, ocupação, comportamento, etc.), Guerrilhas de Indústria (concentrar em um ramo específico, também conhecido como marketing vertical), Guerrilhas do Produto (ter um produto exclusivo, que não compensa ao líder, produzir) e Guerrilhas na Extremidade Alta (manter o foco no topo da pirâmide).
O MARKETING DE GUERRA, com suas diferentes técnicas de GUERRILHA, propiciou às empresas uma orientação para o MERCADO, fez com que as empresas se repensassem e se reorganizassem de fora para dentro, a partir do mercado; que monitorassem o concorrente, para explorar suas fraquezas.
A Guerrilha Moderna, que nós acreditamos e seguimos no MADIAMUNDOMARKETING, que aplicamos em nossos clientes e que ensinamos aos nossos alunos, caracteriza a 10a Geração do Marketing, que é o OUTBREAK MARKETING. Mas antes de explicar o que é o OUTBREAK MARKETING,vamos repassar onde está e qual é a GUERRILHA MODERNA.
A Guerrilha atual não acontece mais nos campos de batalha, ou num movimento do mercado ou do concorrente. Acontece num espaço escuro, pequeno e praticamente desconhecido, exaustivamente bombardeado: o cérebro.
Portanto, a GUERRILHA MODERNA é uma BATALHA DE PERCEPÇÃO, como já pregavam Ries e Trout. Ou seja, não adianta seguir todos os fundamentos do marketing, realizar com correção o planejamento, pôr em prática todas as ações previstas, se, na hora da verdade, não ocorrer o que chamamos, no MADIAMUNDOMARKETING, de PERCOGNITIOM, isto é, se o público-alvo não PERCEBER, RECONHECER, REPUTAR positivamente, EXPERIMENTAR, repetir a compra, gerando CONVIVÊNCIA COM A MARCA; e finalmente, formar uma IMAGEM positiva, incorporada à própria MARCA.
Se o marketing, como, e com total propriedade, afirmam Ries e Trout, é uma batalha de percepção, a decorrência óbvia é que seu maior desafio é o da comunicação. Comunicação capaz de fazer os produtos e seus serviços percebidos, reconhecidos, reputados, experimentados, e permanentemente desejados. Agregando pontos à IMAGEM, e fortalecendo a MARCA.
Definido que a batalha é de comunicação, ou de percepção, que ocorre no cérebro do consumidor, e que vencerá quem tiver a MARCA mais forte, no apreço dos consumidores, a questão seguinte é, e finalmente, DEFINIR QUAL A MELHOR GUERRILHA. E a melhor guerrilha, nesse mundo dominado pela chamada TIMELESS SOCIETY, uma sociedade sem tempo e sufocada de informações, é aquela que permite que a empresa "crave a sua bandeira", ou seja, sua MARCA, mais rapidamente, no cérebro do consumidor. A forma mais ágil e eficaz, a melhor e mais moderna tática de guerrilha é a que chamamos, no MADIAMUNDOMARKETING, de OUTBREAK MARKETING.
O OUTBREAK MARKETING leva as empresas a propagarem sua marca como num processo de formação de ondas, por disseminação, por referência, à semelhança de uma epidemia que eclode, disseminando ondas de simpatia, apreço e admiração pela marca, que remeterão à compra de produtos e serviços e à fidelização.
Para que este processo de disseminação de marca aconteça, são necessários 3 fatores - sensibilizar as pessoas certas, produzir comunicação mobilizadora e inserí-la no contexto adequado.
Autora: PATRICIA MARRA
Fonte: MADIAMUNDOMARKETING.
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13:19
Sábado, Dezembro 17, 2005
DVD apresenta produção de 20 VJs
Lançado ontem (16.12.2005), "VJBR#1" explora formas de lidar com a imagem
Há três anos, quando se falava em VJ a primeira figura que vinha à cabeça era a do apresentador de televisão gesticulando em frente a um cenário. Hoje, a essa lembrança corriqueira soma-se a do videojóquei, aquele artista que manipula as imagens ao vivo em festivais, clubes e exposições.
Pois essa vertente da arte eletrônica ganha o seu primeiro registro, o DVD "VJBR#1 - Visual Jockeys do Brasil", com trabalhos de 20 artistas de Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pernambuco e Minas Gerais.
O lançamento aconteceu ontem, no Centro Cultural Telemar, no Rio, com uma programação de shows e debates, além de performances em clubes da cidade.
Segundo Fabiana Bartholo, 27, a VJ BeteRum, uma das envolvidas em sua produção, o objetivo do DVD é traçar um "panorama brasileiro da live-image". Para os que desconhecem o termo, live-images são todas as apresentações de vídeo em que o artista manipula, edita e muitas vezes até produz as imagens, tudo ao vivo.
O DVD é resultado de uma criação coletiva e independente, feita a partir de uma lista que os VJs mantêm na internet e que atualmente reúne 200 associados.
Estão lá todos os artistas que mandaram os trabalhos "a tempo", entre eles, a própria BeteRum, além de Spetto, Palumbo, Ruth Slinger, Nirvana e os grupos mm não é confeti, F.A.Q., Media Sana e Bijari.
Ficaram de fora alguns veteranos, como Alexis e Luiz Duva e o coletivo Embolex.
"Já estamos programando o "VJBR 2", com todas as pessoas que ficaram de fora, para o ano que vem", garante BeteRum.
Diversidade
Ainda que sem um evento dedicado aos VJs, como foi o Red Bull Live Images, em 2002, os brasileiros têm se aprimorado, e esse DVD é um retrato disso, com trabalhos em diferentes técnicas, como sobreposições, grafismos, 3D e colagens, entre outros.
Nele, há apresentações de primeira, como a do santista Spetto, que criou um software de manipulação de imagens para VJs, o VR Studio MX -disponível para download gratuito no site www.studiovr.com.br. Spetto duplica as imagens de vídeo provocando um belo efeito visual.
A também veterana Ruth Slinger participa com um set que mescla cenas abstratas com outras que se repetem em perspectiva. Ainda da velha-guarda, destacam-se dois coletivos: o mineiro F.A.Q, que costuma criar ambientes imersivos, e o carioca azOia Lab, com cenas que lembram uma "pintura" em movimento.
Da nova geração, chamam a atenção as paulistas Mariana K. e Milena Sz., que formam a mm não é confeti, dupla que atua com câmeras acopladas ao corpo.
Outro novato que surpreende é o grupo Supergas, que consegue um bonito resultado, acrescentando cores e luzes ao vídeo.
O conteúdo político está presente na performance de muitos artistas, com destaque para os pernambucanos do Media Sana, que sincroniza música e imagens de televisão, e os paulistanos do BijaRi, que costumam fazer intervenções em ruas da cidade.
DVD VJBR#1 - Visual Jockeys do Brasil
Produção: independente
Quanto: R$ 20 (pedidos pelo e-mail vjbr-subscribe@yahoogrupos.com.br)
Autora: Adriana ferreira Silva
Fonte: FSP: 17.12.2005
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15:57
SBPC defende padrão brasileiro de TV digital
Entidade apresenta sistema desenvolvido por universidades e agora cobra apoio do governo e da indústria
A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) fez ontem, em São Paulo, uma demonstração do sistema de televisão digital desenvolvido por 22 consórcios de universidades públicas e privadas. O governo federal gastou R$ 38 milhões com as pesquisas, só neste ano.
Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), da Universidade Mackenzie, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro fizeram testes de transmissão em alta definição e de interatividade. Na próxima sexta-feira, haverá demonstrações, com participação de todos os consórcios, no campus da USP, em São Paulo.
Segundo os pesquisadores, o sistema brasileiro está pronto e, até sexta-feira, serão montados 15 protótipos do equipamento (caixa de conversão) desenvolvido pelas universidades.
O presidente da SBPC, Ennio Candotti, disse esperar que o Ministério da Ciência e Tecnologia e o das Comunicações apóiem a segunda fase do projeto -a de fabricação-, que exigirá o envolvimento da indústria.
Até 10 de fevereiro do próximo ano, o governo anunciará oficialmente a escolha do sistema de TV digital a ser adotado no país. Além do brasileiro (em fase de teste), há o norte-americano, o europeu e o japonês. O prazo para a escolha foi estabelecido, por decreto, no final de 2003.
A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) afirmou ontem que, qualquer que seja o sistema escolhido, a preocupação da entidade é que seja dada prioridade para a produção de componentes no país.
A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) queixou-se, na semana passada, de falta de transparência do governo na discussão da escolha do sistema de TV digital. A entidade calcula que as indústrias terão de investir US$ 1 bilhão na adaptação das linhas de produção e quer ser ouvida.
Royalties
O professor Marcelo Knorich Zuffo, do Laboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo, disse, na exibição dos testes, que nenhum dos sistemas existentes no exterior funcionaria no Brasil, sem adaptação.
Segundo ele, o Brasil "patinou" durante dez anos, quando insistia entre os sistemas europeu, norte-americano ou japonês. Para o cientista, o Brasil economizará 20% de despesas de royalties com a escolha do sistema proposto pelas universidades. Os pesquisadores calculam que o investimento total a ser feito até a completa substituição dos televisores analógicos por digitais vá chegar a US$ 10 bilhões.
O período de transição é estimado entre 10 e 15 anos e, nesse prazo, o governo emprestará um canal a cada emissora geradora para que continue transmitindo a programação no sinal analógico, simultaneamente à transmissão digital. Os pesquisadores prevêem que a TV digital possa ser oferecida aos consumidores a partir de janeiro de 2007.
Celulares
O protótipo desenvolvido permite que a programação da TV aberta (Globo, Bandeirantes etc.) seja captada por telefones celulares, sem passar pelas antenas de retransmissão das operadoras de telefonia, o que dá maior poder à radiodifusão na disputa de mercado com as teles.
Os radiodifusores poderão usar a freqüência para transmitir um canal de TV em alta definição ou para transmitir até quatro programações simultaneamente, sem alta definição, com interatividade. A interatividade vai permitir, por exemplo, que o espectador compre produtos exibidos na tela, usando o controle remoto.
Na semana passada, os governos do Brasil e da Argentina assinaram acordo de cooperação para o desenvolvimento de um sistema único de televisão digital. Segundo o Ministério das Comunicações, a Colômbia mostrou interesse em aderir ao acordo.
Autora: Elvira Lobato
Fonte: FSP 06.12.2005
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15:48
A TV digital e o sushi
O Brasil deverá, dentro de poucas semanas, escolher uma entre as três tecnologias básicas disponíveis para instalação de um sistema de TV digital. À primeira vista, o problema aparenta ser puramente técnico e, portanto, de fácil resolução. Não apenas porque a comparação entre peculiaridades puramente tecnológicas -e, conseqüentemente, caracterizáveis por parâmetros mensuráveis- é relativamente simples quando há imparcialidade mas também porque, neste caso, as conseqüências são de alcance meramente financeiro e, com freqüência, de pouca relevância.
A TV digital encerra um potencial de revolução de natureza social e política que transcende, e muito, questões apenas técnicas
Entretanto, a TV digital encerra um potencial de revolução de natureza social e política que transcende, e muito, a esfera meramente técnica, pois traz em seu bojo uma promessa de imenso acréscimo da capacidade de interatividade e acesso à informação. Acredita-se mesmo que não apenas ampliará as funções hoje atribuídas à internet como poderá vir a substituí-las em parte, além de proporcionar um amplo leque de novas oportunidades de negócios.
É importante notar que, como sói acontecer com mudanças tecnológicas profundas, as inovações refletem os anseios das sociedades em que se originam. Assim, no Japão, onde as emissoras de televisão são em sua maioria estatais, a tecnologia adotada é tal que entrega o controle tecnológico e organizacional às próprias emissoras, ou seja, ao governo. A telefonia móvel fica, assim, também submetida ao governo.
O sistema funciona bem naquele país, talvez por causa dos acentuados traços de feudalismo ainda remanescentes. E é certamente pelo mesmo motivo que nenhum outro país adotou a tecnologia japonesa. Nem mesmo aqueles vizinhos que convivem comercialmente com o Japão, tais como Hong Kong, Cingapura, Austrália, Índia etc., que preferiram o sistema desenvolvido na Europa.
Ao contrário do sistema japonês, o europeu, muito mais versátil, permite mais facilmente reorganizações sucessivas e introdução de novos modelos de negócios, além de interatividade ampliada devido à telefonia móvel.
O sistema americano, também baseado em idéias relativas à "televisão aberta", ainda está em evolução.
Quanto à tecnologia desenvolvida por ingentes esforços em várias instituições de pesquisas no Brasil, há suspeitas de que venha vestida de quimono.
Plim-Plim...
É também significativa a condição em que foi desenvolvido o sistema europeu, que, contrariamente ao japonês, em que uma única companhia detém a tecnologia, foi constituído por um consórcio de indústrias e redes de TV, além de instituições de pesquisas procedentes de vários países, o que permite maior flexibilidade no acesso a inovações e, inclusive, a participação de países usuários que venham a adotar essa tecnologia posteriormente -como seria, eventualmente, o caso do Brasil, a compartilhar de pesquisas e desenvolvimento.
Com o Japão, isso seria muito difícil devido a sua tradicional atitude defensiva em tudo que diz respeito à propriedade intelectual.
É, portanto, surpreendente que o ministro das Comunicações, o radialista Hélio Costa, venha reiteradamente afirmar que consultaria principalmente as principais redes de televisão, já que, explica ele, elas são as entidades diretamente interessadas.
Parece que o ministro não entendeu a transcendência dessa escolha, seu alcance social e político, e coloca a raposa no galinheiro. Parece-nos também que o ministro não entende o conceito elementar de Estado e suas próprias responsabilidades, ao apontar como principais interessadas as redes de TV. Os principais interessados, sr. ministro, são os cidadãos, os contribuintes, os usuários finais, e é a eles, em primeiro lugar, que o governo deve satisfações.
Plim-Plim...
Aliás, é incompreensível que essa decisão fique apenas no interior do Ministério de Comunicações, ou, pior ainda, no âmbito do gabinete do ministro. Não há país no mundo em que essa decisão ficasse exclusivamente em um círculo tão restrito. E onde ficam os ministérios de Indústria e Comércio, Exterior e Ciência e Tecnologia? Não apitam nada? E a Casa Civil?
E por que foi criado esse fogoso Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social? Seria um mero enfeite? E o Congresso Nacional, porque não chama a si a responsabilidade de uma ampla discussão? Ou será que o poder das redes de televisão cresce tanto com a proximidade das eleições que ninguém ousa contrariá-las?
Plim-Plim...
Fonte: FSP 16.12.2005
Autor:Rogério Cezar de Cerqueira Leite, 74, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro do Conselho Editorial da Folha.
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15:45
Pré-pagos têm economia relativa
De cada dez brasileiros que possuem um celular, oito contrataram um plano pré-pago, segundo dados da Anatel. A principal vantagem desse tipo de plano é permitir que o usuário controle suas despesas de perto. Antes de fazer ligações e acessar os serviços oferecidos pelas operadoras é preciso adquirir créditos.
Mas, apesar de supostamente econômicos, os celulares pré-pagos têm recursos que podem fazer seus usuários gastarem tanto quanto os donos de pós-pagos.
Eles contam com todo o leque de serviços sofisticados, tais como conteúdo multimídia e acesso à internet, cujo uso é descontado dos créditos.
Apesar de estarem dispensados do pagamento de assinatura, de modo geral as tarifas cobradas para os aparelhos pré-pagos são superiores às dos pós-pagos, o que pode encarecer a despesa mensal. Quanto maior o plano de minutos, mais baixas costumam ser as tarifas. O mesmo ocorre com o preço dos celulares, que normalmente acabam saindo mais caros para esse tipo de contrato.
Fonte: FSP: 14.12.2005
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15:41
Serviços devem ter futuro popular
As operadoras de telefonia móvel de todo o mundo deverão rever seu modelo de oferta de serviço a partir de 2006. Essa foi uma das conclusões de um levantamento feito com cerca de mil profissionais da indústria de celulares pela empresa de pesquisas Informa Telecoms&Media (shop.telecoms.com).
O estudo constatou que o preço dos aparelhos para o usuário final deverá sofrer aumento, causado pela diminuição de subsídios. Por outro lado, o custo dos serviços de voz, que já está em declínio, continuará caindo, principalmente por conta de uma maior adoção de VoIP (tráfego de voz sobre IP, a telefonia via internet).
A oferta de serviços voltados a públicos específicos será ampliada, devido à participação cada vez maior de empresas terceirizadas, que desenvolverão conteúdos especiais para as operadoras.
As conexões à internet devem se tornar mais velozes, conforme novas redes começam a ser adotadas dentro e além do âmbito 3G, o equivalente a uma conexão de banda larga via celular.
Uma delas é a HSDPA (High Speed Downlink Packet Acess), caracterizada como 3,5G, cujo uso se dá por meio de um cartão de acesso, semelhante a uma conexão do tipo Wi-Fi. Por causa de suas características, pode transformar em concorrentes as redes de celular e os pontos de acesso sem fio à internet. Sua velocidade fica entre 8 Mbps e 10 Mbps e por isso ela é apontada como possível substituta da rede GSM.
Demanda
Segundo André Mafra, gerente de conteúdos da Vivo, operadora que iniciou neste ano sua oferta de serviços 3G, a evolução das gerações de telefonia móvel deve continuar. "Quanto mais se investe na tecnologia, mais ela se estabiliza e melhor se torna a sua performance. Por isso, a evolução não pára. A pergunta é como, quando e a que custo ela vai acontecer", afirma ele.
Já de acordo com Marco Quatorze, diretor de serviços de valor agregado da Claro, é preciso questionar qual a real necessidade de tanta velocidade para o cotidiano do usuário. "Cerca de 99% da atual demanda pode ser atendida com velocidades inferiores às oferecidas pelo sistema 3G", explica.
O corretor de seguros André Urbano é um dos usuários satisfeitos com o que o celular lhe oferece. "Gasto entre R$ 300 e R$ 400 por mês, mas principalmente para fazer ligações, além de mandar algumas fotos. Meu aparelho não filma nem toca MP3 e, por enquanto, está bom assim", diz.
ParaVincenzo di Giorgio, gerente de serviços de valor agregado da Tim, os clientes não aproveitam tudo o que lhes é oferecido porque não estão acostumados a usufruir de tais serviços. "É um problema cultural, por isso precisamos tanto de marketing: temos de explicar ao consumidor, acostumado a apenas realizar ligações, o que mais ele pode fazer com o celular", afirma. Giorgio ressalta ainda que não é o preço, e sim o desconhecimento, o principal obstáculo para a popularização dos conteúdos.
A indústria de celulares espera que grandes eventos mundiais, tais como a Copa do Mundo de 2006, ajudem a medir a real demanda por conexões de alta velocidade nos telefones móveis. Durante o torneio, usuários do mundo todo terão como opção assistir às partidas pela telinha, fazer download dos gols e navegar em portais temáticos sobre o assunto.
Para as Olimpíadas de Pequim, em 2008, a oferta de serviços deverá ser ainda maior, incrementada pela adoção de velocidades de conexão superiores.
O tráfego de mensagens multimídia também deve crescer, com a popularização dos aparelhos com câmera fotográfica e filmadora embutidas. Segundo o instituto de pesquisas Gartner, a venda desse tipo de celular representará 38% do total de vendas deste ano, com 295 milhões de unidade em todo o mundo.
Já um estudo da Parks Associates revelou que, entre os usuários norte-americanos, os celulares com câmera são mais desejados do que os com tocador de MP3: 52% dos entrevistados têm planos de comprar um. (MB)
Fonte: FSP: 14.12.2005
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Terça-feira, Setembro 13, 2005
Bolhas são necessárias para construir setores
Faz dez anos que a oferta pública inicial da Netscape, pioneira da internet, deu origem ao boom das empresas pontocom que hoje é geralmente considerado uma espécie de recreio do jardim-da-infância financeiro, uma lamentável corrida de idiotice e cobiça.
Embora essa visão capte um aspecto daquela época, ela perde a imagem maior. Também implica que, se tivéssemos sido mais inteligentes no final dos anos 90, poderíamos ter nos poupado a dor e o embaraço que se seguiram. A história sugere outra coisa.
O crescimento da internet foi comparável ao da maioria das indústrias baseadas em tecnologias revolucionárias. Canais, ferrovias, telégrafos, telefones, automóveis, rádios, computadores pessoais -todas progrediram através de quatro fases de desenvolvimento: boom, estouro, crescimento maduro e declínio.
Durante a fase de boom, o sucesso de algumas companhias visionárias como a Netscape inspira uma experimentação e especulação frenéticas.
Depois da triagem, um punhado de sobreviventes desfruta um período mais extenso de crescimento e rentabilidade. Finalmente, outra mudança tecnológica leva a uma era de declínio.
A repetição do padrão sugere que as fases de boom e estouro devem ser vistas como muito mais que exemplos repetidos de maluquice. Devem ser consideradas surtos naturais e inevitáveis de adaptação por tentativa e erro, os mecanismos através dos quais se formam as indústrias.
Um precursor do boom e estouro da internet, por exemplo, foi a bolha dos computadores pessoais no início dos anos 80.
A Netscape daquela era foi a Apple, que foi lançada na Bolsa em meio ao mesmo tipo de pandemônio que cercou o lançamento da Netscape 15 anos depois. "A maioria deles não sabe nada sobre a companhia", disse um corretor de ações à revista "Forbes" em 1980, descrevendo os esforços de seus clientes para participar da oferta da Apple. "Eles estão comprando para si mesmos, para suas mães ou avós. Eles ouviram falar da coisa numa festa. Não sabem quanto vai custar, mas querem 500 ou mil ações."
Assim como a Netscape, a Apple veio numa era de "picos" de primeiro dia nos preços das ações, milionários de papel instantâneos e otimismo no mercado. Lotus, Compaq e outras companhias se seguiram, juntamente com Seequa, Kaypro, VisiCorp, Altos, Gavilan, Victor e outras.
No final de 1984, estava acabado. As ações haviam afundado, os antigos afortunados tinham ido à falência e milhares perderam o emprego. No final, porém, assim como com a internet, a indústria de computadores pessoais mostrou-se maior e mais rentável até do que os primeiros entusiastas haviam previsto. E algumas das vencedoras abriram o capital depois da acomodação -a Microsoft em 1986 e a Dell em 1988.
Se o padrão de boom e estouro é tão comum, a pergunta óbvia é: por que não aprendemos as lições da história? Por que pagamos demais por milhares de novatas condenadas (Netscape, eToys, Webvan) e pagamos pouco por gigantes do futuro (Microsoft, Google, eBay)?
A resposta, em parte, é que os preços das ações e as decisões estratégicas se baseiam em previsões e é difícil prever o futuro de um setor em seus primeiros dias.
No início do boom da internet, por exemplo, muitos pensaram que a Web seria uma repetição da televisão: os usuários assistiriam a "programas". Os sites populares seriam aqueles com efeitos visuais e conteúdo espetaculares, e não simples máquinas de busca que oferecem listas de sites. Outros suspeitavam que a Barnes & Noble e o Wal-Mart esmagariam a Amazon.com e que o eBay sumiria após a onda do Beanie Baby.
Gradativamente, porém, através de tentativas e erros dolorosos, desenvolvemos idéias mais refinadas sobre o que a internet se tornaria e por que.
Hoje, a indústria avançou para a terceira fase de desenvolvimento, a do crescimento maduro. A própria Netscape foi uma vítima do ciclo, mas outras companhias que aprenderam com ela estão exibindo um desempenho que justifica a primeira onda da internet.
No mercado de ações, também é difícil fazer previsões, especialmente quando pessoas racionais discordam sobre quando poderá ocorrer um estouro e qual poderá ser sua gravidade. Se você perder um boom ou vender cedo demais, não vai se sentir inteligente. Com o tempo, mesmo aqueles que deveriam saber das coisas muitas vezes se arriscam porque não suportam perder.
Um dia talvez sejamos mais capazes coletivamente de saber quais idéias vão dar certo e quais não vão e quando pôr os lucros do boom no banco. Enquanto isso, devemos nos consolar em saber que nossa exuberância ajuda a construir setores, por mais idiotas que eles pareçam mais tarde.
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Fonte: FSP 12.09.2005
Autor: Henry Blodget é ex-analista de Wall Street (Matéria para o NYT)
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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20:01
Sexta-feira, Maio 20, 2005
O PODER CANIBAL
O filósofo francês , autor de "Simulacros e Simulação", discute como o conceito de hegemonia tornou obsoleta a idéia de dominação ao incorporar noções em princípio libertárias, como subversão e revolução
Poderíamos dizer que a hegemonia é o estágio supremo da dominação e, ao mesmo tempo, sua fase terminal. Podemos caracterizar a dominação pela relação mestre/escravo, apesar de esta última ser ainda uma relação dual com um potencial de alienação, de relações de força e de revolução. Ainda é uma relação simbólica.
Que outro traço distingue a hegemonia da pura e simples dominação? É a entrada em cena de um acontecimento fundamental: o do simulacro e da simulação. A hegemonia passa pela mascarada generalizada, pelo uso desmedido de todos os signos, pela obscenidade, pela irrisão de seus próprios valores e o desafio lançado ao resto do mundo por esta irrisão e este cinismo (a "carnavalização").
Dito de outra forma, se a dominação clássica, histórica, passava pela introdução autoritária de um sistema de valores positivos por sua ostentação e sua defesa, a hegemonia contemporânea passa, pelo contrário, por uma liquidação simbólica de todos os valores -o que os termos de simulacro, de simulação e de virtual resumem, em que todos os significados vêm se abolir dentro de seu próprio signo, em que a profusão dos signos imita uma realidade doravante inincontrável.
Mascarada da guerra
Trata-se aqui da mascarada total, em que a própria dominação vem danificar-se. O poder, como sabemos, não passa agora de uma paródia dos signos do poder, assim como a guerra também não passa da manipulação dos signos da guerra, da qual a técnica faz parte. Mascarada da guerra, mascarada do poder.
Assim, podemos nos referir a uma hegemonia da mascarada e a uma mascarada da hegemonia.
O que separa a dominação da hegemonia seria então a falência da realidade e a irrupção ultra-rápida, em uma atualidade muito recente, de um princípio mundial de simulação, uma ascendência mundial que é aquela do virtual. A globalização, essa hegemonia de uma potência mundial, só pode ocorrer no quadro do virtual e das redes de uma homogeneidade que é aquela dos signos esvaziados de sua substância.
Toda essa mascarada ocidental baseia-se de fato na canibalização da realidade pelos signos. Ou de uma cultura por ela mesma, no sentido derivado de "canibalizar": canibalizar um automóvel é utilizá-lo aos pedaços, em peças avulsas.
Canibalizar uma cultura é, assim como costumamos fazer, mexer com seus valores como se fossem peças avulsas, ficando a totalidade do sistema fora de uso.
Esta distinção entre dominação e hegemonia é essencial, pois determina evidentemente os modos de resistência próprios de cada uma delas. E todas as perspectivas de evolução de uma situação mundial como a nossa. Não respondemos à hegemonia como respondemos à dominação -não podemos lançar mão da estratégia errada.
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É preciso evitar as utopias ingênuas de Maio de 68, como "a imaginação no poder!"
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Diante da hegemonia, todo o trabalho do negativo, todo o trabalho do pensamento crítico, da relação de forças perante a opressão ou da subjetividade radical em relação à alienação, tudo isso está (virtualmente) ultrapassado. Simplesmente porque essa nova configuração hegemônica (que está longe de ser ainda a do capital) tem, segundo os meandros da razão cínica ou segundo a astúcia da história, absorvido o próprio negativo, a negatividade enquanto valor de regeneração.
Por uma imensa síndrome de Estocolmo [processo psicológico de simpatia do seqüestrado pelo seqüestrador], os alienados, os oprimidos, os colonizados se alinham do lado do sistema do qual são reféns. Eles estão daqui em diante "anexados", no sentido literal do termo, prisioneiros do "nexus", da rede, conectados para o bem e para o mal.
A dominação pode ser aniquilada de fora para dentro. A hegemonia só pode se inverter, se reverter de dentro pra fora.
Dois paradigmas diferentes, quase opostos: o da revolução, da transgressão, da subversão (dominação); e o da inversão, da reversão, da autodestruição (hegemonia).
Quase opostos, pois os mecanismos da revolução (da antidominação) -e a prova histórica já foi feita- podem tornar-se o motor, o próprio vetor, da hegemonia.
Conjuração silenciosa
Três dimensões simultâneas desenham a passagem da dominação para a hegemonia.
1) O capital se transcende e volta-se contra ele mesmo no sacrifício do valor (ilusão econômica). Por assim dizer, ele salta por cima da própria sombra.
2) O poder volta-se contra ele mesmo no sacrifício da representação (a ilusão democrática).
3) O sistema inteiro volta-se contra ele mesmo no sacrifício da realidade (a ilusão metafísica).
Tudo depende da idéia que temos a respeito do poder. Se o pressuposto for aquele da inteligência ou da imaginação no poder, então a persistência da debilidade ou ao menos a ausência permanente de imaginação no poder é inexplicável (a não ser que se suponha uma disposição generalizada das populações em delegar sua soberania aos mais inofensivos, aos menos imaginativos de seus concidadãos; uma espécie de gênio do mal que levaria as pessoas a elegerem o mais limitado, o mais corrupto, num júbilo secreto, um desejo de assistir ao espetáculo da burrice e da corrupção dos homens no poder. Sobretudo durante os períodos de turbulência, os cidadãos dirigir-se-ão em massa para aquele que não os obrigar a refletir, a pensar. Seria uma espécie de conjuração silenciosa -análoga, na esfera política, ao complô da arte em outra área).
Porém é necessário desfazer-se dessa ilusão democrática, proveniente do fundo da ideologia das Luzes, da imaginação ou da inteligência no poder.
É preciso evitar as utopias ingênuas de Maio de 68: "A imaginação no poder!", "considerem seus desejos realidade!", "gozem sem entraves!". Coisas estas que se realizaram, todas, de fato (ou melhor, se hiper-realizaram), por meio do próprio desenvolvimento do sistema.
Ora, se afastarmos essa utopia moral do poder, aquela do poder como ele deveria ser do ponto de vista daqueles que o recusam, se lançarmos a hipótese de que o poder vive apenas por uma paródia, uma simulação de representação, e que ele é bem mais um desafio feito à sociedade que ele manipula; se lançarmos a hipótese do poder como sendo uma função ectoplásmica, porém indispensável, então homens como George W. Bush ou Arnold Schwarzenegger estão cumprindo perfeitamente seus papéis. Não que um país ou um povo tivessem, segundo a fórmula, os dirigentes que merecem, mas porque eles são a emanação da potência mundial como ela é.
A estrutura política dos EUA corresponde exatamente à sua dominação na escala mundial. Bush dirige os EUA da mesma maneira que estes exercem sua hegemonia sobre o resto do planeta (poderíamos até afirmar que a hegemonia da potência mundial está tal qual a imagem do privilégio absoluto da espécie humana sobre todas as outras). Portanto, não existe nenhum motivo para imaginar uma alternativa. Ainda mais porque, nessa função hegemônica, o poder é uma configuração virtual que metaboliza em proveito próprio qualquer elemento.
Pode se constituir de inúmeras partículas inteligentes; isso não modificará em nada sua estrutura opaca -é como um corpo que trocaria suas células sem deixar de ser o mesmo. Assim, cada molécula da nação norte-americana será brevemente, como por transfusão de sangue, proveniente de outro lugar.
Os EUA terão se tornado negros, indianos, hispânicos, porto-riquenhos, sem deixarem de ser os EUA. Ela será mais miticamente norte-americana ainda, quanto mais não o for "autenticamente". E mais fundamentalista quanto menos fundamento tiver (se é que ela jamais teve algum, pois até mesmo os Pais Fundadores tinham vindo de outros lugares). E mais integralista quanto mais tiver se tornado, de fato, multirracial e multicultural. E tanto mais imperialista quanto mais for dirigida pelos descendentes de escravos.
Assim são as coisas. Essa é a lógica sutil e implacável do poder e não pode ser mudada.
Com a eleição de Arnold Schwarzenegger para o governo da Califórnia [em 2003], estamos em plena mascarada, onde a política não passa de um jogo de ídolos e de "fãs". É um enorme passo para o fim do sistema representativo. É a fatalidade do político atual que aquele que apostar no espetáculo, onde quer que seja, morrerá pelo espetáculo. Isso é válido tanto para os "cidadãos" quanto para os políticos. É a justiça imanente à mídia. Vocês buscam o poder pela imagem? Então morrerão pelo retorno-imagem. O Carnaval da imagem é ao mesmo tempo (auto)canibalização pela imagem.
A farsa da história
Essa mascarada mundial da potência passa por sucessivas fases. É primeiramente o Ocidente de um modo mais geral que impõe ao mundo, em nome do universal, seus modelos políticos e econômicos, seu princípio de racionalidade técnica. Esta é a essência de seu domínio. Mas não sua quintessência. Sua quintessência é, para além do econômico e do político, a ascendência da simulação, de uma simulação operacional de todos os valores, todas as culturas, é aí que hoje se afirma a hegemonia da potência mundial.
Não é mais por meio da exportação das técnicas, dos valores, das ideologias, mas pela extrapolação universal de uma paródia desses valores (a democracia se universaliza sob uma forma caricata, irrisória -é sobre o simulacro do desenvolvimento e do crescimento que se organizam os países subdesenvolvidos), é sobre a restituição falsa de suas culturas que se regulam os povos em via de desaparecimento, todos fascinados por um mesmo modelo universal (do qual os EUA, aliás, mesmo antecipando os benefícios, são a primeira vítima).
Após ter imposto sua supremacia pela história, o Ocidente impõe doravante sua hegemonia pela farsa da história. A potência mundial é a do simulacro.
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Autor: Por Jean Baudrillard
Tradução: Marie Dominique Grandy.
Fonte: Folha de S. Paulo 15.05.2005
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Terça-feira, Maio 10, 2005
Os marqueteiros da web
Expansão da internet tem levado à criação de empresas especializadas em ind uzir ou manipular potenciais consumid ores, em blogs, a fim de valorizar produtos, serviços e a té propostas políticas
Um jovem técnico em informática de Seattle descobriu por acaso, numa manhã de setembro de 2004, que sua tranca de bicicleta, de marca Kryptonite, podia ser aberta com a ajuda de uma simples caneta esferográfica. Achando graça da situação mas também um pouco irritado, ele decidiu informar o fato aos leitores de seu blog favorito, um jornal coletivo escrito em rede e que reúne aficionados da eletrônica.
Juntamente com sua mensagem, ele anexou um vídeo que o mostra abrindo seu dispositivo anti-roubo com a caneta. Em pouco tempo, o blog se encheu de comentários incrédulos. Dezenas de leitores donos de dispositivos semelhantes tentaram abrir os seus com canetas; muitos o conseguiram e passaram a fazer circular a novidade. Em questão de horas o vídeo chegou aos fóruns de clubes de ciclistas, depois até associações de consumidores em toda a Europa e na Ásia.
Pega de surpresa, a Kryptonite reagiu publicando na internet um comunicado mal formulado, o que acabou por agravar sua situação. Finalmente, a empresa tentou iniciar um diálogo real, mas o mal já tinha sido feito e ela tinha sido atingida naquilo que, hoje em dia, é o mais precioso para qualquer empresa: sua imagem.
Nessa mesma época, centenas de sites, blogs e fóruns recebiam um clipe publicitário de animação glorificando o leitor musical portátil da Apple, o iPod. Sem questionar coisa nenhuma, internautas passaram a transmitir o clipe a seus amigos e colegas. Em poucas semanas, o clipe deu a volta ao mundo. Os profissionais do marketing apreciaram sua qualidade e eficácia, mas observaram que não seguia os padrões gráficos da Apple. Intrigados, descobriram que tinha sido criado por um amador solitário, um professor californiano de 36 anos apaixonado pela animação.
Esses admiradores hiperativos, muitas vezes trabalhando em grupos, já têm um nome no jargão do marketing: são os "clientes missionários", dispostos a difundir com fervor quase religioso o apreço que sentem por esta ou aquela marca. A direção da Apple não reagiu publicamente: ela sabe que nada mais poderá impedir a circulação do clipe, já promovido ao status de obra "cult", inclusive no Japão.
Hoje, esse tipo de miniacontecimento se repete em grande escala. A internet se tornou o vetor de um boca-a-boca eletrônico planetário e instantâneo, o chamado "buzz", que provoca efeitos passageiros poderosos e influi sobre a imagem das empresas. Ademais, militantes de todos os tipos atacam grandes marcas, desenvolvendo discursos políticos, sindicais ou consumidores que alcançam um público internacional grande. Uma enxurrada de louvores, boatos, críticas, ataques, paródias e delírios percorre continuamente os fóruns e os sites freqüentados por milhões de consumidores.
Domesticando boatos
Às vezes, as marcas atingidas pelo "buzz" -positivo ou negativo- se contentam em constatar o que está acontecendo. Outras, porém, optam por intervir, na esperança de explorar os boatos ou "domesticá-los".
Dessa maneira, sites comerciais que vendem viagens, eletrônicos ou produtos culturais criam fóruns nos quais seus clientes podem divulgar suas opiniões, embora os sites se reservem o direito de censurar as opiniões indesejáveis. Eles publicam "web revistas" que misturam informações técnicas com avaliações e mistos de publicidade e reportagem. Aliás, na cultura da internet, a separação entre informação e promoção freqüentemente é vista como um conceito superado.
Alguns sites comerciais conseguiram reunir comunidades virtuais, criando exércitos de clientes missionários. Christophe Poupinel, diretor do site comercial de vinho francês Chateauonline, resume seu trabalho da seguinte maneira: "O comércio eletrônico é o casamento entre a venda e a ação editorial. Graças ao rastreamento informatizado, sabemos quem são nossos clientes e podemos contatá-los a qualquer momento para informar-lhes ou aconselhá-los. Também pedimos suas opiniões deles e as levamos em conta. Eles têm o sentimento de freqüentar um clube".
Além do comércio on-line, a internet se tornou indispensável às marcas de vocação internacional, sobretudo às que querem integrar seu nome e seu logotipo à nova cultura globalizada da juventude urbana dos países ricos. Antes de tudo, elas precisam conhecer o teor do "buzz" e, para isso, encomendam de agências especializadas um "marketing à antiga", acompanhando o conteúdo dos sites e fóruns em que seu nome aparece.
A segunda etapa consiste em intervir diretamente, para alimentar o "buzz". Executivos da empresa em questão participam de fóruns para defender sua marca. Alguns criam seus sites próprios e procuram fazer deles pontos de encontro e discussão. A firma californiana Six Apart, que produz softwares com os quais internautas podem criar seus blogs pessoais, vê esses blogs de empresa como um mercado promissor.
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A internet se tornou o vetor de um boca-a-boca eletrônico planetário e instantâneo, o chamado "buzz"
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O presidente da filial francesa da Six Apart, Loïc le Meur, tem como tarefa convencer os empresários franceses da idéia: "Para eles, é uma revolução cultural, mas eles vão chegar lá. Se um cliente tem vontade de criticar um produto, quando ele o faz diretamente para você, você pode reagir. Quando um consumidor insatisfeito recebe uma resposta personalizada no mesmo dia, ele se sente valorizado; sua disposição muda".
De vez em quando a empresa se vê diante de um site independente que conseguiu reunir os melhores clientes e os melhores especialistas em seus produtos. "É o caso do Treonauts", diz Le Meur, "um site especializado criado por um inglês apaixonado pelos telefones Treo. Não adianta a empresa tentar concorrer com o site, pois então já será tarde. Eu recomendaria à Treo comprar o site, simplesmente".
Também é possível facilitar o nascimento de sites autênticos de fãs. Essa é a especialidade da agência parisiense Heaven. Seu presidente, François Collet, que já integrou o contingente francês das forças de manutenção da paz da Organização das Nações Unidas na Bósnia, hoje divide seu tempo entre a militância alternativa de choque e operações de marketing para multinacionais.
Fãs dos concorrentes
Ele criou uma das primeiras "campanhas de influência" na internet de língua francesa, para o console de videogame XBox, da Microsoft. "Em vez de convencer a Microsoft a montar um site oficial glorificando o XBox, nós a convencemos de que seria mais eficaz tomar nota dos sites que seus clientes já freqüentavam e levar sua mensagem para mais perto desse público", diz Collet. A Heaven encontrou apenas três sites franceses dedicados ao XBox.
"Entramos em contato com eles para parabenizá-los por seu trabalho e lhes propor assistência. Num primeiro momento, sentiram muito orgulho por terem sido observados -isso é algo que os valoriza, eles poderão se impor como líderes de sua comunidade de jogadores. Num segundo momento, alguns reagiram com desconfiança -eles sentiram medo de serem manipulados-, mas nós os tranqüilizamos: em hipótese nenhuma queríamos intervir em seu conteúdo editorial. Isso acabaria com a eficácia de nossa abordagem. Nós os ajudamos no nível do design e desenvolvimento, lhes fornecemos domínios para se alojarem gratuitamente, garantimos que seriam mencionados nos motores de busca, encontramos um pouco de público pagante, lhes passamos informações exclusivas. Eles fazem o papel de repórteres. E, quando os outros jogadores vêem a qualidade de seus sites, isso gera respostas."
Hoje a Heaven administra uma rede informal de cerca de 50 sites franceses voltados ao XBox, que recebem ao todo 800 mil visitantes por mês. É claro que a Microsoft não tem apenas amigos, e o XBox também é muito criticado pelos fãs de consoles concorrentes. "É bom que todo mundo possa se expressar", diz François Collet. "Não procuramos censurar a crítica, e sim diluí-la em meio a um mar de "buzz" positivo."
A Heaven já administrou outras campanhas de tipo semelhante, especialmente o lançamento do perfume Bimen, de Thierry Mugler.
Mas Collet quer muito mais: "O próximo mercado do marketing de influência será o das campanhas eleitorais". Recentemente a Heaven foi consultada pelo UMP (o partido governista francês). O pedido não foi atendido, já que os líderes do partido de Jacques Chirac [presidente da França] queriam atingir seus próprios militantes, no contexto de uma competição interna. "Era algo focalizado demais para nós. Mas haverá outras oportunidades."
Às vezes, Collet encontra alguma dificuldade em fazer seus clientes franceses compreenderem seu trabalho: "Alguns imaginam que tudo é fabricado, que montamos sites fajutos e que eles poderão controlar tudo. Recusamos esse tipo de operação: é perigoso demais, complicado demais. Alguns meses atrás a Pepsi criou um falso site independente para lançar um refrigerante novo. A empresa foi desmascarada, e o efeito foi desastroso".
Marketing guerrilheiro
Nem todos concordam com seu diagnóstico. Algumas agências norte-americanas e britânicas desenvolveram os conceitos de marketing "clandestino" ou "furtivo", até mesmo de "marketing guerrilheiro".
A primeira técnica consiste em explorar a moda dos pastiches e "brincadeiras" de informação falsa que circulam na internet. Os publicitários sabem que as publicidades desviadas e as fotos e os vídeos paródicos criados por artistas independentes freqüentemente exercem impacto positivo sobre a marca visada, mesmo que sejam irreverentes ou provocantes.
Há pouco tempo, circulou na internet uma série de fotos de moda dos tênis Puma, mostrando uma jovem ajoelhada diante de um rapaz, em pose sugestiva. Os dois calçavam tênis Puma. As fotos deram a volta ao mundo, suscitando um "buzz" intenso, tanto positivo quanto negativo. A Puma negou qualquer envolvimento no caso e ameaçou prestar queixa contra quem continuasse a divulgar as fotos. Apesar disso, muitos profissionais suspeitam de que a empresa seja a origem da campanha. Um gerente da agência Heaven que acompanhou o caso não quis se pronunciar sobre a questão, mas avaliou que, na prática, a Puma se beneficiou do caso.
Para ele, o público reagiu bem, e a marca ganhou uma imagem anticonformista que a valoriza junto da juventude urbana antenada. Essas práticas parecem estar começando a se implantar na França. Laurent, de cerca de 30 anos e que acaba de criar em Paris uma miniagência em sociedade com dois amigos, não fornece o nome de seus clientes, pois afirma que seus contratos com eles incluem cláusulas de confidencialidade, mas descreve uma campanha típica: "Se meu cliente está enfrentando um site de protestos, eu começaria por fazer um "web lobby". Eu me inscrevo anonimamente no site em questão, faço perguntas incômodas, lanço dúvidas sobre a competência das pessoas que fazem intervenções no site, forneço algumas informações favoráveis à marca".
A idéia de criar um falso site independente não é descartada: "O melhor seria montar um site especializado, aparentemente neutro, e usá-lo para divulgar informações positivas, em doses razoáveis. Em seguida, criam-se sites pessoais que remetem ao site especializado, citado como referência indiscutível". Laurent chega a cogitar o oferecimento de ajuda a um site de protesto voltado contra um concorrente de seu cliente: "Pode-se gerar um "buzz" positivo em torno de um site, mesmo sem a participação de seus autores".
Os jovens interessados em lançar-se na profissão se diferenciam dos profissionais mais velhos, importando esses novos conceitos desenvolvidos nos Estados Unidos. Damien, que trabalha em regime de meio período como consultor de uma grande agência local, precisou idealizar uma campanha para uma cadeia de hotéis. "Para começar, crio um blog verdadeiro-falso de viajantes, cujos autores viajam de verdade. Eles não falam dos hotéis do meu cliente, mas dão destaque aos destinos onde a rede de hotéis está presente e os quais ela precisa que sejam valorizados. Em seguida, crio um fórum aberto onde o nome da cadeia de hotéis é mencionado de vez em quando, sendo associado a esses lugares paradisíacos." Ao mesmo tempo, ele lança uma campanha clássica junto da imprensa para atrair jornalistas para seus sites. "O círculo se fecha; a grande imprensa legitima meus sites, e vice-versa. Tudo muito clean. Ou, pelo menos, é tecnicamente clean."
Autor: YVES EUDES
Texto foi publicado no "Le Monde".
Tradução de Clara Allain.
Fonte FSP 01.05.2005
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Terça-feira, Novembro 30, 2004
Crítica via internet estremece jornalismo de TV nos EUA
O jornal da noite, formato televisivo no qual Dan Rather trabalhou e cresceu por 40 anos, está na lista das espécies em perigo de extinção desde que teve início a ascensão dos canais de jornalismo a cabo 24 horas, na década de 1980.
Mas não foi a pressão competitiva que levou Rather a abrir mão de seu cargo altamente valorizado de âncora do "Evening News" da CBS. O que aconteceu é que a CBS vem sendo pressionada em função de uma das matérias de Rather -um furo quente, em ano eleitoral, sobre o serviço militar prestado por George W. Bush na Guarda Nacional na época da Guerra do Vietnã.
Veio à tona que os documentos sobre os quais a CBS baseou sua matéria eram questionáveis, o que obrigou a rede e Dan Rather a se desculparem. Um relatório independente encomendado pela CBS deve ficar pronto daqui a semanas, e a previsão é que não mostre nem Rather nem seu produtor sob uma ótica favorável.
O episódio pode ser visto como mais um em uma série de escândalos envolvendo a reportagem de notícias, que vem prejudicando ou acabando com carreiras de profissionais no "New York Times", no "USA Today" e na BBC. O que talvez seja mais importante, porém, é a demonstração das novas e fortes pressões que vêm sendo exercidas sobre as redes de TV abertas, além das reações às vezes desajeitadas destas.
De acordo com Walter Isaacson, ex-presidente da CNN e atual executivo-chefe do Instituto Aspen, uma organização de pesquisas, a grande imprensa vem enfrentando pressões sem precedentes vindas de grupos políticos que hoje podem expressar seu desagrado com a programação através de e-mails em massa e blogs.
"Estamos assistindo a muito mais ataques ideológicos e manifestações de desagrado de setores específicos sendo lançados contra as organizações da grande imprensa", disse Isaacson. "A internet cria canais de expressão para as queixas das pessoas, o que significa que coisas que antes eram ignoradas hoje exigem explicações públicas ou pedidos de desculpas [por parte da imprensa]."
No caso da matéria sobre Bush e a Guarda Nacional apresentada por Dan Rather, alguns autores de blogs contestaram seu conteúdo e acabaram se tornando parte integrante da história. Eles analisaram as fontes usadas nos documentos da Guarda Nacional e constataram que, aparentemente, haviam sido feitas com um computador, e não com uma máquina de escrever dos anos 1970. Presume-se que a investigação independente vá determinar se as alegações dos bloggers têm fundamento. Se tiverem, os bloggers terão cumprido uma função importante de vigilância.
Segundo alguns críticos, contudo, as redes de TV, acovardadas pela intensa campanha movida pela Comissão Federal de Comunicações (CFC) contra a "programação indecente", também vêm mostrando uma tendência preocupante de render-se diante de pressões intensas em torno de questões menos importantes.
Nos últimos tempos, as grandes redes vêm emitindo confissões quase semanais de culpa, algumas delas suscitadas por campanhas travadas por grupos como a Associação da Família Americana e o Conselho de Pais e Televisão.
A ABC, rede pertencente à Disney, foi criticada por exibir uma versão sem cortes de "O Resgate do Soldado Ryan", filme de guerra estrelado por Tom Hanks, no Dia dos Veteranos. A rede também pediu desculpas por uma promoção na qual uma atriz tirava uma toalha enrolada ao corpo e pulava nos braços de um atleta. A cena não tinha nudez, mas a CFC diz que vai investigar o caso.
Mais difícil de entender foi o recente pedido de desculpas da CBS por ter interrompido seu programa de maior audiência para anunciar a notícia da morte de Iasser Arafat. Anteriormente, ela havia tomado a decisão de não exibir um drama sobre o presidente Ronald Reagan que foi criticado por setores conservadores.
"As redes não cessam de encontrar-se em posições vulneráveis", diz Robert Thompson, professor de cultura popular na Universidade Syracuse. "A batalha contra o conteúdo das grandes redes está sendo travada em todas as frentes -nos programas jornalísticos e nos de entretenimento."
A solução, diz Thompson, é que as redes fixem seus próprios critérios e se atenham a eles. Enquanto não o fizerem, elas não vão conseguir acumular boa vontade suficiente do público para poderem resistir a críticas, mesmo as mais superficiais.
Para os críticos de Dan Rather, que há muito tempo é alvo de setores conservadores, a matéria sobre a Guarda Nacional veio apenas reforçar sua visão de que Rather tinha um viés liberal.
Depois que deixar o cargo de âncora, em março, Rather vai continuar a trabalhar para a CBS, como correspondente no programa "60 Minutes", mas ele pode ter certeza de que os bloggers vão acompanhar com atenção máxima cada palavra que ele disser.
Como talvez dissesse o próprio Rather, que é texano, essa vigilância minuciosa tem deixado as redes de TV tão assustadas quanto porcos numa fábrica de presunto.
Autor; Christopher Grimes (DO 'FINANCIAL TIMES') com tradução de Clara Allain
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2811200404.htm
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TV barra obrigação de exibir independentes
Redes brasileiras, que produzem quase tudo o que vai ao ar, derrubam artigo de lei que abria espaço a produtoras
As TVs abertas conseguiram: o novo texto da Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual), que deverá ser divulgado nesta semana, não mais as obriga a firmar anualmente um compromisso público, intermediado pelo governo federal, de exibir programas e filmes nacionais de produtoras independentes.
O artigo, derrubado pelas redes, constava do projeto de lei de criação da Ancinav negociada com o setor e colocada em consulta pública. A intenção do Ministério da Cultura, no qual a agência é desenvolvida, era fazer com que as emissoras abrissem espaço para produções de fora, a fim de "oxigenar" a programação e fomentar o mercado audiovisual do país. No Brasil, as TVs produzem praticamente tudo o que levam ao ar, diferentemente do que ocorre nos EUA e em países da Europa.
Até o ano passado, as redes norte-americanas eram obrigadas por lei a produzir apenas 30% da programação e comprar o restante de outras empresas (a regra foi flexibilizada em 2003). Com isso, passaram a concentrar esforços no jornalismo. As famosas séries e "reality shows" costumam ser fornecidos às TVs por produtoras.
Apesar de uma recente abertura brasileira a independentes, acelerada pela crise financeira na TV, os exemplos ainda são raros, como a série "Cidade dos Homens", desenvolvida para a Globo pela O2, do cineasta Fernando Meirelles ("Cidade de Deus"), o seriado "Turma do Gueto" e a novela "Metamorphoses", comprados pela Record da Casablanca.
Marco Altberg, presidente da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV, diz que o espaço às produtoras ainda é "irrisório". "A TV aberta é fechada.
Independentemente de lei, iremos nos reunir com as redes para mostrar os benefícios dessa parceria, que pode tornar os custos mais baixos dos que a produção interna", diz ele, que é favorável à Ancinav e a uma lei que obrigue as TVs a abrir a programação.
Orlando Senna, secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, critica o fato de a relação entre as TVs abertas comercias e as produtoras independentes ser "mínima".
"As redes deveriam perceber que têm um compromisso social. Mais espaço à produção independente poderia trazer oxigenação dos conteúdos, melhoria de qualidade e maior chance de representação da variedade da sociedade brasileira."
Obrigatório x opcional
Em troca do compromisso público previsto na minuta anterior da Ancinav, a nova trará desconto progressivo da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica) para os canais que exibirem independentes em mais de 20% da programação. O que antes tinha caráter de obrigatoriedade, passou a ser opcional: quem comprar programa paga menos taxa pelos feitos "em casa"; quem não comprar arca com o imposto integral.
O valor da taxa deverá ser de R$ 700 por obra. Uma novela, por exemplo, tem em torno de 200 capítulos. Se a Globo continuar produzindo quase tudo o que veicula, gastará perto de R$ 140 mil por uma trama inteira. Dois dados relevantes para avaliar quanto isso representaria para a emissora: cada capítulo tem um custo aproximado de R$ 200 mil e um único merchandising na trama das oito chega a render R$ 400 mil.
Lobby
O MinC deve divulgar o texto da Ancinav amanhã ou terça no www.cultura.org.br . O documento será discutido no dia 9 pelo Conselho Superior de Cinema, formado por nove ministérios (entre eles Casa Civil, Cultura e Fazenda) e representantes do setor. Em seguida, passará por apreciação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será encaminhado ao Congresso. Apesar da mudança em relação à produção independente, entre outras alterações, as TVs não estão satisfeitas com os termos e planejam tentar convencer deputados a derrubá-los.
Na semana passada, a Abert (associação de emissoras brasileiras) e outras entidades da indústria cinematográfica lançaram o Fórum pelo Desenvolvimento do Audiovisual e do Cinema (FAC), contrário à Ancinav. Coordenador-geral, o cineasta Roberto Farias, que nega que o FAC tenha sido criado em razão da agência, critica a tentativa de impor às TVs uma abertura à produção independente.
Diretor da TV Globo, ele afirmou à Folha que "a demanda por conteúdo audiovisual é crescente no mundo, e a tendência é que as TVs busquem parcerias". "Não achamos necessário criar uma obrigatoriedade." Ele disse que o espaço aberto pelas redes brasileiras ainda é "insipiente, mas deverá crescer, principalmente com a chegada da TV digital [que pode ampliar o número de canais]".
A Abert, que das grandes redes representa a Globo, concorda. "A sociedade brasileira aprendeu o que é ser livre. Não serão regras feitas em gabinetes por alienígenas ao setor que vão resolver alguma coisa. Nosso modelo é o da livre iniciativa, que oferece espaço a quem tem condição de produzir com qualidade, numa melhor relação custo/benefício", disse José Pizani, presidente da associação.
Record, Band e SBT e Rede TV! têm posição semelhante, apesar de a Abra, associação que as representa, não ter se pronunciado sobre o assunto. Presidente da Band e da entidade, Johnny Saad declarou, em entrevista publicada pela Folha na semana passada, que a Ancinav "é ruim e feia".
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2811200412.htm
Autora: Laura Mattos
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Quinta-feira, Setembro 30, 2004
Caminho das Pedras: A arte da proximidade
Entrar numa galeria ou numa grande exposição de arte, como a Bienal de São Paulo, é normalmente mais intimidante do que deveria ser. Mas o que faz a arte contemporânea tão "difícil"? Justamente o que ela tem de mais simples: a proximidade com nosso tempo. Diante dela, há pouca ou nenhuma perspectiva histórica. Por outro lado, se a apreciação é prejudicada, é nas obras contemporâneas que a relação entre vida e arte é mais forte.
Cada vez que surgem obras "estranhas", realizadas em meios inéditos, como os trabalhos da fase cubista de Picasso - em que surgem as primeiras colagens - e os "ready-mades" de Duchamp, há um esforço da crítica para classificá-las. Ainda hoje isso acontece, com termos como webarte, videoinstalação e ambientes imersivos.
Geralmente, são os críticos que os inventam, mas os artistas também participam da criação dessa nomenclatura. Em princípio necessárias, as classificações podem, entretanto, levar a reduções ou rótulos empobrecedores, principalmente num momento como o atual, marcado pela mais desconcertante variedade de experimentações e incorporações de novos materiais e novas tecnologias.
O termo "moderno" designava, em sua origem, o que é atual, presente, que está acontecendo agora, seja em que tempo for. Assim, na Idade Média, ele diferenciava aquele momento da Antigüidade. Todas as épocas foram, a seu tempo, modernas.
Charles Baudelaire utilizou o termo no ensaio "O Pintor da Vida Moderna" (1863), em que descreve o artista Constantin Guys como uma espécie de repórter da atualidade, do espetáculo da vida contemporânea, dos modos - da beleza transitória e fugaz da vida presente - que ele chamou de "modernidade".
Assim, a chamada arte moderna surgiu no ocidente no final do século 19, mas a data escolhida para marcar o seu início foi 1905 (apresentação dos fauvistas no Salão de Outono, em Paris), ou a década de 1910, quando surgiram simultaneamente movimentos que romperam radicalmente os cânones da arte acadêmica.
Esses movimentos, conhecidos como vanguardas, tiraram sua denominação de um termo de origem militar e significavam o avanço de pequenos grupos de atores culturais sobre a grande massa da população, engendrando revoluções permanentes, até aproximadamente a Segunda Guerra Mundial. Foram os chamados "ismos": fauvismo, cubismo, futurismo, expressionismo, construtivismo, suprematismo, neoplasticismo, dadaísmo, surrealismo etc.
Englobando a todos, o modernismo difundiu-se pelo mundo, integrando a América Latina a partir da década de 1920 ¿no Brasil, a Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco dessa adesão. A modernidade dos latino-americanos desenvolveu-se com características próprias, mesclando a visão moderna com o mergulho nas raízes de uma identidade cultural. Exemplos indiscutíveis são as obras dos brasileiros Vicente do Rego Monteiro e Tarsila do Amaral.
Em 1929, foi inaugurado em Nova York o MoMA (Museu de Arte Moderna), concebido para abrigar obras de arte moderna, o que deu origem a inúmeros museus pelo mundo todo, inclusive no Brasil, onde os MAM de São Paulo e do Rio foram inaugurados na década de 1940. O espírito moderno consolidou-se, e é aceito que o modernismo teve seu ponto de maior estabilidade na década de 1950, quando as abstrações tornaram-se a expressão oficial da arte ¿exceto na União Soviética, onde imperava o realismo socialista.
Já os revolucionários anos 1960 constituem a fase tardia do modernismo, em processo de fragmentação. Surge a visão figurativa inédita da pop art, trazendo consigo uma avalanche de novos meios e novas atitudes, como objetos, ambientes, "happenings" e novas tecnologias, quase ao mesmo tempo em que se inicia o movimento conceitual, propondo uma imersão no lado secreto e desmaterializado das artes visuais - a arte como idéia.
Ainda nos anos 60 e 70, surge na arquitetura o movimento pós-moderno, que utilizava todo o repertório iconográfico da história da arte e rapidamente se espalhou para os outros campos artísticos. A partir daí, nos referimos à arte como contemporânea ou atual. É a arte que se apresenta nas Bienais, nos museus e nas galerias, em ininterrupta renovação, interagindo com política, filosofia, psicologia, sexualidade e tecnologia, além de influenciar publicidade, TV, moda e todas as faces da produção cultural.
Autora: Cacilda Teixeira da Costa
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u933.shtml
Cacilda Teixeira da Costa é doutora em artes pela Universidade de São Paulo e especialista em arte moderna e contemporânea. É autora de "Arte no Brasil 1950-2000" (Alameda Casa Editorial), "Livros de Arte no Brasil" (Cosac & Naify/Itaú Cultural) e "O Sonho e a Técnica" (Edusp).
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